segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Adeus vesícula.

Dia 23/07 o HC me ligou perguntando se eu aceitaria ir me internar lá para dia 25/07 fazer a retirada da minha vesícula (colecistectomia), que desde 2012 (sim senhores!), estava com pedras. Claro que aceitei. Eu confesso que procrastinei essa cirurgia por muitos anos, eu tenho alguns grandes motivos para essa procrastinação, porém o principal foi que o meu extinto convenio só realizava essa cirurgia no hospital próprio dele e desde a minha experiencia de internação nele em 2013, onde não vi a cara de um médico por 5 dias e quando chamava uma enfermeira eu esperava horas para simplesmente virem fechar o soro, acabou me deixando bastante desanimada em relação ao atendimento deles e acabei desistindo de operar pelo convênio. Acabei optando por tentar a chance de operar o HC, o que só foi acontecer agora. Eu entrei como prioridade na fila do HC por ser transplantada, e minha entrada nessa fila aconteceu dia 31/03 deste ano, então esperei pouco mais de 3 meses para realizar a cirurgia. Hoje estou completando 2 semanas de cirurgia.

Bom, vamos para detalhes técnicos da cirurgia.

Quando eu internei no domingo, foi apenas para garantir o leito, somente na segunda iria realizar exames pré operatórios, então foi mais uma hospedagem no primeiro dia, nem acesso eles colocaram.
Na segunda, dia que antecedeu a cirurgia, fiz apenas 3 exames, onde foram um exame de sangue, 1 RX  de tórax e 1 eletrocardiograma. Não foi pedido ultrassom e nem nenhum outro exame, já que eu estava com todos meus exames bem recentes e havia deixado tudo em dia para quando chegasse o momento da cirurgia não existisse nenhum imprevisto (fiz exatamente a mesma coisa com o meu transplante).

Recebi a visita de vários especialistas, além dos dois residentes que me acompanharam desde a entrada até a alta, que foram a Dra. Rebeca e o Dr. Marcelo, ambos muito atenciosos. A equipe de anestesia foi a primeira a aparecer, eles quiseram saber se eu tive reação quando transplantei, perguntaram detalhes das primeiras horas após o transplante, se havia vomitado, se tive febre, se era alérgica em algum tipo de medicação, etc. Para eles eu apenas expliquei que tive muito frio logo depois que acordei da cirurgia. Um nefrologista da equipe do transplante (que não era a minha médica s2), também apareceu e disse que estaria acompanhando de longe, mas, estaria disponível por telefone caso a equipe que iria realizar a minha cirurgia precisasse tirar alguma duvida e, na sala de cirurgia vi a Dra. Rebeca acionando ele por telefone apenas para confirmar o tipo de anestesia venosa que eu poderia receber. 

O Dr. Marcelo e a Dra. Rebeca me avisaram que no meu caso iriam tentar a cirurgia por videolaparoscopia, caso eles percebessem algum problema, teriam que fazer a cirurgia aberta, porém, deixaram claro que isso seria algo bem raro. Assinei o famoso termo de esclarecimento cirúrgico, onde quem tem medo deve só assinar sem ler, já que tem vários detalhes do que pode dar errado, rsrsrs. 
Enfim, o pré cirúrgico foi bem tranquilo, sem nenhum detalhe que pudesse ser relevante.

Na manhã da cirurgia, era 5:30 quando a enfermeira entrou e me entregou um avental e pediu para eu tomar banho, foi terminantemente proibido lavar a cabeça, honestamente não sei o real motivo, preciso pesquisar, eu tenho a teoria que se precisar reanimar com descarga elétrica pode "dar ruim", já que água é condutora de energia elétrica, mas, isso é teoria minha, não sei de verdade o porque é proibido lavar a cabeça.

Eu confesso que tinha tido uma noite de sono bem ruim, acordando de hora em hora preocupada, então quando começaram as movimentações eu fiquei aliviada. Como essa cirurgia estava marcada para o primeiro horário, foi bem diferente do transplante. Eu novamente subi para o 9º andar onde se encontra o centro cirúrgico, o que não sabia é que junto comigo, haviam 29 pessoas sendo preparadas para outras cirurgias, então, diferente do transplante, onde no corredor só havia eu, desta vez haviam 30 macas com pacientes. A organização desta parte eu achei mágica, tanto que assim que cheguei no 9º andar eu fiquei encantada, já havia uma maca e um cobertor me esperando e várias outras macas e cobertores que estavam sendo ocupados conforme os pacientes iam subindo. Eu cheguei no centro cirúrgico era quase 7:00 da manhã, então peguei uma boa parte dos preparos, os residentes chegando, a equipe de enfermagem preparando as 30 salas cirúrgicas dos 3 blocos existentes nesse andar. 

Enquanto esperava na maca, uma enfermeira gritava os nomes e você precisava erguer a mão confirmando que já estava lá e, foi bem engraçado, porque as respostas variavam como "Estou aqui", "Presente", "Sou eu", "Aqui do lado do sicrano", rsrsrs, foi bem divertido ver. Logo após, aparecia outra enfermeira confirmando o seu nome (você falando), com a pulseira que te colocam logo que você dá entrada na internação, junto também com o prontuário que eles colocam embaixo do travesseiro da maca. Após essa confirmação, eles te colocam do outro lado do corredor para então um dos médicos que estará na cirurgia aparecer e conversar com você, mais era querendo saber se você esta bem, se esta com medo, etc. Em seguida uma ultima enfermeira aparece e pergunta o tipo de cirurgia que vai ser realizada e se existe alguma informação que achava importante comunicar. Nesta hora eu avisei que ainda tinha fistula ativa e gostaria muito de preservar o braço dela, dito isso, a enfermeira foi buscar a famosa pulseira rosa que indica a preservação do membro. Depois de toda essa sequencia eu fiquei esperando ainda uns 30m até finalmente ser carregada por uma auxiliar de enfermagem que iria ajudar na preparação da sala onde seria a cirurgia. No transplante eu fiquei na sala 9, desta vez fui para sala 28, então consegui ver todos os blocos cirúrgicos e ver que a maioria das salas são iguais e, que os equipamentos que são necessários para cirurgia na verdade são levados para as salas, eles não ficam na sala. Vai conforme a necessidade da cirurgia. No meu caso, eu cheguei na porta da sala enquanto um armário de metal enorme entrava. Assim que fui colocada para dentro, vi que o armário de metal era a maquina que iria fazer a cirurgia por vídeo. 

Assim que entrei a anestesista estava sendo a maestra da vez e organizando todo mundo, auxiliares, enfermagem, os residentes que ela fazia perguntas do meu histórico e, até o pessoal que trouxe a máquina ela estava coordenando. Eu não sei o que tenho, mas eu acho muita magia o centro cirúrgico, eu tenho uma sensação muito boa quando estou nessas salas e isso acontece desde as primeiras vezes que entrei, quando fui fazer as fistulas.

Bom, depois das coisas organizadas, a anestesista começou a conversar comigo, me perguntou sobre a pulseira rosa, porque eu não tinha desativado a fistula e, eu expliquei que não queria perder ela jamais, já que tinha consciência que o transplante estava tudo bem, porém, ele não é eterno e se um dia precisar voltar para dialise, teria já a fistula prontinha para uso, já que conseguir uma fistula funcionante foi difícil e preservar ela com minha pressão baixa foi mais difícil ainda. Ela gostou e até elogiou meu pensamento e gritou na sala "ninguém vai encostar nesse braço", rsrsrs. E finalmente ela me colocou um acesso e, eu estava morrendo de receio disso, porque eu sei que sou ruim de veia e meu maior receio é a veia não mandar a anestesia venosa suficiente e eu acordar no meio da cirurgia (é besteira minha, eu sei). O acesso ficou perfeitinho, olhei para o soro e ele estava correndo que era uma beleza. Depois disso, mascara de oxigênio na cara, alguns eletrodos na testa, coisa que não sei se colocaram no transplante e o famoso soninho.

Acordei dessa vez já na sala de recuperação, no transplante eu fiquei na sala cirúrgica mesmo me recuperando, dessa vez eu fiquei na sala de recuperação do bloco 3, onde tinha eu e outras pessoas. Acordei sem frio, sem dor, sem sintoma nenhum. Olhei para meus pés e vi um potinho desses de exame de urina e afobada como sou, já chamei a enfermeira e perguntei se eram minhas pedras, ela confirmou e me deu para ver. Eu assustei com a quantidade e tamanhos variados. Ali eu percebi a sorte que tive dela nunca ter inflamado. Voltei para o quarto que estava antes da cirurgia, estava de sonda vesical e devido a somente essa sonda, fiquei deitada umas 2h, ai  já entediada resolvi sentar e ver o que tinham feito. Foram 4 incisões, um furo dentro do umbigo, dois furos na lateral direita, mesmo local onde eu acredito estar o rim transplantado (medinho), e um corte um palmo fechado abaixo dos seios de aproximadamente 3cm, que acredito eu, ser o local da retirada da vesícula. Esse corte foi o único lugar que estava dolorido e ficou dolorido até o 5º dia pós cirúrgico, a sensação é que alguém havia me dado um soco na boca do estomago e então estava dolorido. Não levei pontos, eles colaram as incisões o que eu achei maravilindo, já que não ia levar aqueles famosos beliscões de pontos. Umas 7h após a cirurgia eles retiraram a sonda, eu estava urinando normal com a sonda, só que levei umas 4h para conseguir urinar sozinha após a retirada dela, mas, isso é bem normal. Assim que retiraram eu corri para o banho, fiquei aliviada, porque ficar com sonda é bem chatinho em questões higiênicas, assim como da outra vez, não senti nada para retirar. Chegou a noite, eu dormi bem e as 7h da manhã do dia seguinte já estava de alta. O engraçado que não tive restrição alimentar nenhuma. Jantei normal na noite da cirurgia e tomei café com leite e pão com margarina no café da manhã, não tive nenhum enjoo, nada de diarreia que é comum e já no dia da cirurgia eu evacuei normalmente. 

Em casa continuo comendo normal, a única coisa que desarranjou meu intestino foi um amendoim e foi bem de leve também. Eu comi de tudo, justamente para testar, já que tenho retorno na sexta com a equipe que fez a cirurgia (18 dias após a cirurgia). Então, se desse algum sintoma eu já queria discutir com a equipe, só que eu acho que fui premiada, porque não tive qualquer reação com alimentos usuais e nem os exageradinhos, por exemplo, eu comi pizza caseira com 6 dias de cirurgia e nada.

Foi isso pessoal, minha experiencia com a retirada da vesícula sendo transplantada e passando por outra anestesia geral. Então, se alguém precisar, é só falar tudo que o preocupa com os médicos responsáveis que tudo dará certo. Minha fistula esta intacta, o rim esta funcionando bem e eu não tenho dor e nem mal estar devido a cirurgia, na verdade acho que melhorou, eu tinha umas pontadinhas na região da vesícula que aparecia e desaparecia, conforme o que eu comia e não tive mais essas pontadas desde que a cirurgia aconteceu.

Quem chegou aqui e não tem nenhuma outra complicação e gostaria apenas de ler um relato de uma cirurgia na vesícula, eu só digo que é muito tranquilo, não tem nada de insuportável, na verdade é mais tranquilo que muito procedimento mais simples que já passei, como por exemplo uma endoscopia, rsrs. E se eu, transplantada renal, que teoricamente sou uma paciente mais "complicada", deu tudo certo, imagina quem só tem essas pedrinhas para encher o saco? Tranquilidade e dialogo com a equipe médica, esse é meu conselho. 

Quem esta morrendo de curiosidade para ver minhas pedrinhas, é só clicar AQUI que vai para a foto delas.

Grande abraço para todos.


Obs: Eu linkei a foto das minhas pedras (são MUITAS), porque ninguém é obrigado entrar no site e ver coisas que talvez não gostem.