terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

01 ANO DE TRANSPLANTE!!!

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Precisou uma pessoa partir desta vida para eu conseguir qualidade na minha vida, precisou alguém ir para me ajudar chegar até aqui. Uma família teve que esquecer um pouco seu luto para pensar por um momento, para ajudar uma pessoa, ou até mesmo pessoas, que provavelmente essa família nunca nem vai saber quem são. Do outro lado outra família teve que por um longo tempo segurar lágrimas, abdicar de alguns luxos e momentos, só para garantir que eu tivesse sempre condição de um tratamento digno. Dezenas (provavelmente centenas) de profissionais da saúde praticaram o conhecimento que obtiveram através de longos e duros anos de estudos e de principalmente experiência pessoal, para assim me ajudar a sempre estar saudável, na medida do que me era possível.
Dia 28 de fevereiro de 2016, uma família perdia e outra ganhava. Neste dia a oportunidade de voltar para a vida em plenitude me foi devolvida, me deixando viver intensamente mais uma vez, o que havia sido interrompido por longos seis anos. Ganhei possibilidade real de voltar a correr atras dos meus sonhos. Neste dia, eu deixava para trás dores físicas e em troca ganhava energia. Neste dia eu renasci.


Os 6 anos de hemodialise não foram em vão.
O sacrifício da minha família não foi em vão.


Agradeço a todas as pessoas que resolveram seguir a área da saúde e se dedicam a cuidar das pessoas, você são especiais. Todos da Nephron, da extinta São Jorge e todos do Hospital das Clinicas. Eu serei eternamente grata a todos vocês.

Eu não posso compensar a perda da outra família, mas prometi que vou honrar a vida do meu doador. E a vida do meu doador, essa não pode ser devolvida, contudo, por ele, pela família dele e pela minha, eu me sinto obrigada a jamais recuar, vou sempre dar o meu melhor, nunca irei me acomodar, quero todo dia me reinventar e buscar ser uma pessoa melhor, não só para as pessoas que estão próximas e sim para todos.

Peço luz ao meu doador onde quer que ele esteja, que ele receba toda minha gratidão.
A família do meu doador que queria muito conhecer ou ao menos poder enviar uma carta a eles (que me foi negado, mesmo propondo ser essa anonima), eu queria muito agradecer pelo desprendimento e pela atitude tão nobre. Eu desejo que toda a saudade que tenham do meu doador seja compensada com um coração preenchido de luz. Queria muito poder dar a certeza que ao menos uma vida, a decisão que vocês tomaram foi salva. E dizer que sinto muito também.


Outro dia no mercado, ao passar algumas mercadorias no caixa, a moça que me atendia no meio de uma conversa informal sobre violência, me soltou que a irmã dela perdeu a vida com um tiro na cabeça, e que ela e a família dela, decidiram pela doação de órgão da irmã. Meus olhos marejaram de lágrimas e a caixa sem entender, se preocupou se eu estava bem e se ela poderia ajudar, depois de uns segundos, quando consegui me recompor, eu a agradeci por ato tão nobre e informei que se eu estava ali naquele momento, é porque uma família havia tido o mesmo comportamento que a dela. Me senti tão bem em agradecer aquela moça, pois é o que gostaria de fazer com a família do meu doador.


Esse primeiro ano foi uma aventura. Enfrentar inúmeras consultas, inúmeros exames e estar no final da faculdade junto com todas as novidades que o transplante me trouxe, tornou tudo muito louco e frenético. Espero que eu consiga conservar esse presente comigo por muitos anos, mas cada um deles será como se fosse o primeiro, sempre irei valorizar esse acontecimento, e sempre serei grata a todos que estiveram e que estão envolvidos.


Hoje eu afirmo, sim, transplantar vale a pena, o começo é esquisito, existem adaptações, mas o resultado é muito BOM!!! Liberdade, mente mais atenta, sem fraqueza e sem mal estar. O que mais poderia querer?


Um abraço para quem leu até aqui. Beijo no coração de cada um.
Viva a medicina, viva a tecnologia e principalmente, VIVA PARA A CARIDADE.

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