segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Vivendo...

felicidade


Com 26 anos, beirando os 27, eu tive que aprender a amadurecer tudo que na teimosia havia colocado como segundo plano.
Eu não sei se acontece com você que esta lendo isso, mas comigo é SEMPRE assim. Quando passo por algum problema eu tenho a opção de MELHORAR ou de PIORAR, seja aspecto moral, seja físico, enfim, alguma coisa eu PRECISO fazer, não dá para ficar em cima do muro.


Quando recebi o diagnostico, os primeiros meses que eu chamo de PERÍODO DE ADAPTAÇÃO, eu confesso que dei trabalho, enlouqueci minha família. Eu que já tendia (e tendo na verdade), para um certo desequilíbrio emocional, acredito de quadrupliquei a intensidade. Sendo bem honesta, eu não me recordo muito deste período, a chuva de informação é tão grande e eu de verdade acho que dei um "BLOCK" nessas memórias. Daquela época o que tenho são os relatos desse blog, contudo, aqui eu optei por não escrever coisas pessimistas ou momentos de dificuldades, até porque, eu tento aqui me basear nas melhores fases, não estou aqui para desanimar ninguém, estou aqui para compartilhar o que vou aprendendo. Coisas ruins, momentos emocionais ruins todos temos, isso não é característica única de um Renal Crônico.
Dito isso. Eu preciso dizer que essa doença me melhorou muito como pessoa, as vezes eu acho que ela tinha que acontecer mesmo para eu cair na real, CALMA, CALMA que eu vou explicar.
Eu sempre fui muito seletiva nas minhas amizades e com uma tendência ALTÍSSIMA em descarta-las quando percebia que elas não atingiam minhas expectativas. Coisa de gente chata pra ¨&$%#*. Com isso fui perdendo amizades que hoje, depois do orgulho ter baixado a bola, eu assumo que sinto falta.


Antes de ficar doente eu era focada em duas coisas: ganhar meu dinheiro e ser independente, uma coisa levando a outra, claro. Nunca fui do tipo de passar por cima de alguém, de sacanear, mas se a pessoa estava me atrapalhando, eu tirava ela da minha reta e cortava os laços, afinal, eu precisava ter meu dinheiro, eu precisava da minha independência.
Pobre menina.
Fiquei amarga, rancorosa, vivia magoada com as pessoas e diversas vezes desejava morrer, chegando a confessar para minha mãe que não gostava da minha vida, que preferia estar morta. Que mãe merece ouvir isso de um filho? Pois é, a minha ouviu.
Então fiquei doente e foi o maior sacode que a vida me deu, sim, eu precisava disso, toda frescura de vitima, de "que m**** de vida", de "não preciso de ninguém", foi pro ralo.
E como disse acima, eu tinha duas opções, melhorar ou piorar.
Se escolhesse piorar, as opções que tinham eram: não aceitar a doença e esperar a morte.
Eu percebi ali que toda aquela baboseira que odiava minha vida era pura mentira. Eu não queria morrer. Eu não quis. Resolvi melhorar, aceitar, crescer, enfrentar tudo com a cabeça erguida e os pés no chão. E qual melhor maneira de combater o inimigo (a doença) do que saber sobre ele? Foi o que fiz, corri atrás de informação e hoje se tenho uma qualidade de vida aceitável é porque aprendi, me informei, fui atrás.
E indo atrás você "tromba" com outras pessoas, algumas com historias de sucesso e então você absorve as experiências delas. Também cruza com casos críticos e aprende a evitar comportamentos parecidos. E foi assim que eu me recriei.
O rancor foi embora, as magoas se tornaram insignificantes e a vontade de viver... ahhhh... essa só cresceu :)


Seis anos se passaram desde então. As dificuldades aumentaram verdadeiramente, contudo, a forma de enxergar a vida é totalmente diferente. Eu não perco mais tempo com picuinhas, as vezes derrapo nas escolhas ou em um momento emocionalmente mais fraco, mas não levo muito tempo para voltar a minha postura inicial. E eu estou bem assim, estou me preparando para um futuro que pretendo alcançar. Se vou, não me compete saber agora, o que importa é que não vou me acomodar, não vou partir sem lutar.