sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mudança = Adaptação...

Olá Pessoal :)


Eu sei que fiquei devendo inúmeras atualizações, que para quem acompanha, é importante, mas eu precisava dar esse tempinho.
Eu fiquei praticamente esses 2 primeiros anos vivendo intensamente... a doença.
É verdade, eu dormia, acordava, comia, bebia, e vivia a doença, só pensava nisso, só lia sobre isso, só me dedicava a isso. Foram dois anos de "intensivão renal", com certeza se recebesse uma prova no grau da FUVEST relacionada somente a doença renal eu gabaritava ela.
Eu fiquei saturada de informação, saturada de viver tanto e somente a doença.
Eu procurei ser otimista durante todo o tempo e isso foi o que me motivava a procurar informação atrás de informação, pois queria achar os casos de curas inexplicáveis (e achei), queria achar pesquisas em andamento (e achei também), queria me preparar pro que poderia me esperar no futuro (e me preparei), enfim, eu queria me cercar de todas as formas e obter todas as informações possíveis para saber lidar com o problema.
No caminho tive inúmeras infecções urinarias, pensei que teria que fazer uma nefrectomia bilateral (retirar os dois rins que não funcionam mais), e isso me deixou desesperada, pois se surgisse tratamento que utilizasse um pedacinho do rim (mesmo doente) para recriar um novo rim, eu não teria oportunidade de participar já que não teria mais nenhum rim. Varias pessoas me desanimaram dessa ideia, inclusive alguns técnicos e médicos dizendo que esse tipo de coisa ainda vai demorar muito. Fiquei triste com a postura deles, pois eu não sou idiota, eu sei que é difícil, mas eu também sei que a medicina esta evoluindo em uma velocidade considerável e eu tenho quase 30 anos, não estou com um pé na cova, pretendo ver muitos avanços relacionados ao tratamento dessa doença, e porque não a construção de um órgão a partir das minhas próprias celular?
Quando meus pais eram crianças, não tinha TV colorida, nem micro-ondas. A internet e o celular eram coisa de filme de ficção, em 60 anos as coisas evoluíram tanto, mas tanto, que não vejo porque pode conseguir evoluir na área tecnológica e não evoluir nas ciências humanas também, e outra, existe tecnologia envolvida na medicina e ela ajuda muito nos tratamentos. Eu sei que muitos pensavam que no século 21 o mundo seria como nos Jetsons, carros flutuantes, tele transportes e algumas coisinhas a mais, contudo, eu acho inacreditável como em pouco tempo tanta coisa mudou.
A própria hemodiálise/dialise peritoneal, cada ano que passa as maquinas são aprimoradas, novos remédios são lançados para facilitar o tratamento, então por que um transplante não poderia sofrer atualizações? Na verdade elas acontecem, a mudança é sutil, mas acontece.
Por exemplo, alguns países já fazem captação de rins mesmo quando a causa-morte não é morte encefálica, imaginem quantos rins poderiam ser captados nesse caso? Se não acabasse com a fila de transplante renal, pelo menos diminuiria drasticamente ela (como aconteceu no caso de transplante de córneas), e eu espero que o Brasil consiga chegar a esse patamar, que descubra formas seguras de captar órgãos, não somente os rins, de forma que essa angustiante espera seja menor.
Eu sempre disse que não tenho pressa do transplante, e não tenho mesmo, honestamente não me sinto 100% preparada para ele, eu gostaria de estar fisicamente melhor para passar por ele, mas então eu me pergunto, será que alguém esta 100% preparado para o transplante?
Eu fiquei alguns meses engolindo seco a doença, engolindo sapos na clinica, lutando contra pensamentos que insistiam em martelar a minha cabeça. Uma coisa atrapalhava a outra e por esse motivo a bendita depressão me pegou pela segunda vez.
Eu consegui dar a volta por cima, os pensamentos foram expulsos, os sapos foram parcialmente aniquilados (detalhes em um futuro próximo), eu vou me adaptando conforme as dificuldades vão aparecendo e comemorando quando cada pedrinha chata no sapato é jogada pra bem longe.
A vida é assim: mudança = adaptação, como diz um ditado, "problema sem solução, resolvido está".
Eu cheguei à conclusão que se tiver que perder os meus rins que não funcionam, então que assim seja, se a medicina chegar ao ponto de reproduzir rins a partir de células do paciente, com certeza saberá produzir por outros meios, por outras células, ou então pelo menos será uma forma de reduzir a fila do transplante, se não der de um jeito, dará de outro e vamos nos adaptando a isso. Mudança = Adaptação, mudança = adaptação, mudança = adaptação...


Minha única opção é continuar.

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