segunda-feira, 30 de maio de 2011

Resultados dos Exames...

EXAMES HC:
Fosfatase Alcalina:  263
Birrubinas Totais e Frações:
Total -> 0,27
Direta -> 0,10
Indireta -> 0,17
Calcio Total: 10,0

Calcio Ionico: 4,7
Fosforo: 3,1
Proteínas Totais e Frações:
Totais: 6,7
Albumina: 4,4
Globulinas: 2,3
Tempo de Protrombina: 12,6 Segs
Equivalente a: 110%
INR: 0,95
Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada: 31,3 Segs
Relação: 0,95

Hidroxivitamina D: 21,0
PTH: 255
T4L: 0,85
TSH: 2,98


sábado, 28 de maio de 2011

1 ano e 6 meses...

Cheguei a um ano e meio de tratamento, passou muito rápido!
Agora estou fazendo hemodiálise apenas 2x por semana, o que ajudou e muito a minha pressão elevar, voltei a urinar um pouco mais do que estava urinando, mas ainda acho muito pouco, mais ou menos 50ml por dia.
As vezes ainda passo um pouco mal durante a hemodiálise,  mas nada comparado a semanas atrás no qual eu basicamente lutava para sobreviver. Na época estava pensando até em tentar uma internação para ver se eu melhorava, sei lá, mas meu convênio faliu e eu estou completamente desamparada pelo atual (que comprou a carteira do convenio falido, mas não tem condições de atender nem os clientes que já eram deles), isso esta me dando uma dor de cabeça danada, a ANS é completamente irresponsável e faz vista grossa aos problemas de atendimento que surgem em todos os convênios, não só no meu. Quero lutar pelos meus direitos, mas como? Tento encontrar uma forma de entrar em contato com a ANS, mas o atendimento é todo robótico e não chega a lugar algum. Tenho uma série de exames para fazer e não posso, ou melhor, até posso, mas em locais completamente distantes de onde eu costumava fazer, as guias vão vencer e eu vou ter que passar novamente por pelo menos seis especialistas para conseguir novas guias para fazer os exames.
Esse mês por ter passado mais mal do que bem me deu saudade das pessoas, principalmente da minha família, é muito reconfortante passar um dia com a família reunida, espero que isso aconteça em breve.
A montanha russa ainda esta comigo, esse mês esta melhor que o mês passado, mas nada impede que o próximo mês seja pior, mas pensar assim não ajuda, então vamos em frente, com pensamento positivo sempre.

C'est la vie...

Minha mente atualmente esta um pouco preocupada.
Meu físico atualmente bom (minhas dores diminuíram muito, a hipotensão acontece raramente na hemodiálise).

1 ano e 6 meses...

Cheguei a um ano e meio de tratamento, passou muito rápido!
Agora estou fazendo hemodiálise apenas 2x por semana, o que ajudou e muito a minha pressão elevar, voltei a urinar um pouco mais do que estava urinando, mas ainda acho muito pouco, mais ou menos 50ml por dia.
As vezes ainda passo um pouco mal durante a hemodiálise,  mas nada comparado a semanas atrás no qual eu basicamente lutava para sobreviver. Na época estava pensando até em tentar uma internação para ver se eu melhorava, sei lá, mas meu convênio faliu e eu estou completamente desamparada pelo atual (que comprou a carteira do convenio falido, mas não tem condições de atender nem os clientes que já eram deles), isso esta me dando uma dor de cabeça danada, a ANS é completamente irresponsável e faz vista grossa aos problemas de atendimento que surgem em todos os convênios, não só no meu. Quero lutar pelos meus direitos, mas como? Tento encontrar uma forma de entrar em contato com a ANS, mas o atendimento é todo robótico e não chega a lugar algum. Tenho uma série de exames para fazer e não posso, ou melhor, até posso, mas em locais completamente distantes de onde eu costumava fazer, as guias vão vencer e eu vou ter que passar novamente por pelo menos seis especialistas para conseguir novas guias para fazer os exames.
Esse mês por ter passado mais mal do que bem me deu saudade das pessoas, principalmente da minha família, é muito reconfortante passar um dia com a família reunida, espero que isso aconteça em breve.
A montanha russa ainda esta comigo, esse mês esta melhor que o mês passado, mas nada impede que o próximo mês seja pior, mas pensar assim não ajuda, então vamos em frente, com pensamento positivo sempre.

C'est la vie...

Minha mente atualmente esta um pouco preocupada.
Meu físico atualmente bom (minhas dores diminuíram muito, a hipotensão acontece raramente na hemodiálise).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Irresponsabilidade...

Pessoal, na internet temos possibilidade de cruzar com diversas informações, umas úteis, outras completamente sem sentido. É preciso BOM SENSO para identificar o que é verídico e o que não é.
Hoje recebi um e-mail dizendo que o Hospital Sírio Libanês esta fazendo tratamento com uma vacina criada por médicos brasileiros contra o câncer nos rins e na pele.
Vamos raciocinar, se algo dessa magnitude fosse mesmo verdadeiro, nós iríamos saber dessa noticia por e-mail? Será que nenhuma emissora de televisão, nenhum jornal noticiaria uma noticia tão maravilhosa dessa?
Eu sei que muitas pessoas com problemas nos rins entram nesse site para buscar informações, não somente pessoas com insuficiência renal, mas pessoas com pedras nos rins, pessoas com infecção urinaria e também pessoas com câncer nos rins, então apenas para avisar, esse e-mail é falso, o site informado esta hospedado no SEDO.COM, que é um site onde vendem domínios, ou seja, quanto mais visitas esse site tiver, mais ele será valorizado. Por favor, não acreditem nesse e-mail, o próprio Hospital Sírio Libanês teve que emitir uma notificação para alertar as pessoas, pois é, um hospital ter que perder tempo para justificar uma irresponsabilidade de um aproveitador.
Enfim, existe uma equipe que esta realmente desenvolvendo uma espécie de vacina, mas é um medicamento complementar ao tratamento feito para pacientes com câncer nos rins e na pele, não substitui os tratamentos já utilizados, não trás a cura e muito menos previne a doença, e ainda esta em fase de testes.
Fiquem de olho aberto e prestem muita atenção antes de se iludirem com algumas noticias, principalmente essas vinculadas por e-mail.
Se cuidem ;)

Irresponsabilidade...

Pessoal, na internet temos possibilidade de cruzar com diversas informações, umas úteis, outras completamente sem sentido. É preciso BOM SENSO para identificar o que é verídico e o que não é.
Hoje recebi um e-mail dizendo que o Hospital Sírio Libanês esta fazendo tratamento com uma vacina criada por médicos brasileiros contra o câncer nos rins e na pele.
Vamos raciocinar, se algo dessa magnitude fosse mesmo verdadeiro, nós iríamos saber dessa noticia por e-mail? Será que nenhuma emissora de televisão, nenhum jornal noticiaria uma noticia tão maravilhosa dessa?
Eu sei que muitas pessoas com problemas nos rins entram nesse site para buscar informações, não somente pessoas com insuficiência renal, mas pessoas com pedras nos rins, pessoas com infecção urinaria e também pessoas com câncer nos rins, então apenas para avisar, esse e-mail é falso, o site informado esta hospedado no SEDO.COM, que é um site onde vendem domínios, ou seja, quanto mais visitas esse site tiver, mais ele será valorizado. Por favor, não acreditem nesse e-mail, o próprio Hospital Sírio Libanês teve que emitir uma notificação para alertar as pessoas, pois é, um hospital ter que perder tempo para justificar uma irresponsabilidade de um aproveitador.
Enfim, existe uma equipe que esta realmente desenvolvendo uma espécie de vacina, mas é um medicamento complementar ao tratamento feito para pacientes com câncer nos rins e na pele, não substitui os tratamentos já utilizados, não trás a cura e muito menos previne a doença, e ainda esta em fase de testes.
Fiquem de olho aberto e prestem muita atenção antes de se iludirem com algumas noticias, principalmente essas vinculadas por e-mail.
Se cuidem ;)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Do outro lado da porta...


Ser renal crônico em processo de diálise todo mundo sabe que não é fácil, mas geralmente durante a hemodiálise as coisas são calmas, pois os técnicos ajudam muito fazendo brincadeiras e entre os pacientes mesmo rolam conversas que acabam distraindo bastante.
Quando eu passo pelo outro lado da porta, onde eu tenho que iniciar um tratamento que vai me ajudar a continuar viva, eu sempre peço para correr tudo bem, não só comigo, mas com todos que estão lá, o que na maioria das vezes acontece.
O problema é quando chega um paciente que esta em estado grave, e você é obrigado a assistir bem na sua frente uma pessoa extremamente debilitada dialisando. Estar amarrada nessa hora, sem poder correr do lugar para não testemunhar algo assim é muito difícil, tem que ter muito estomago, muita força e muita fé.
Eu me considerava com sorte, por nunca ter feito parte de um momento desses, mas sabia que um dia iria acontecer, e esse dia foi na terça (17/05/2011). 
Uma senhora foi para meu Box, pois a Dna. A. pediu transferência de clinica. No começo da sessão foi tudo tranquilo, essa senhora dormiu boa parte do tempo, contudo, após o café ela começou a se movimentar lentamente, como se estivesse despertando bem devagar, eu como estava sem sono e sem paciência para ver filme no PSP, passei a prestar atenção nessa senhora, algo parecia estar estranho, então fiquei atenta, pois ao menor sinal de que algo não iria bem eu solicitar ajuda. Acho que ela ficou por mais ou menos uma hora nesse estagio de movimentos letárgicos, mas enfim despertou de vez. Ela começou a sussurrar  "ai, ai, ai", no terceiro "ai" eu já estava chamando um técnico para socorrê-la, com muita calma um dos técnicos chegou, mediu a pressão dela que estava normal  e saiu de perto, ela continuou "ai, ai, ai..." e eu caí em desespero, chamei novamente um  técnico, dessa vez era outro, que mediu a pressão, perguntou onde estava doendo, mas ela não respondia onde doía, só falava que iria morrer para chamar os filhos dela, o técnico devolveu um pouco de soro para ela e logo saiu de perto. A senhora não parava com os "ai, ai, ai..." e eu desesperada o tempo todo chamava alguém para ajudar, de repente ela parou com o "ai, ai, ai..." e começou a gritar, "socorro, me tira daqui....", "meus Deus, me poupe disso...", "por favor ajuda, por favor meus Deus...", "chama meus filhos, eu não quero morrer sozinha", e ficou gritando nessa mesma ordem as frases, como se fosse uma musica de terror. Eu não sabia se chorava, conversava com o psicólogo que estava tentando saber como foi minha semana ou se pedia para ser desligada e fugia da clinica. Foi uma angustia ver o desespero daquela senhora, que a sensação de impotência caiu em minha cabeça e praticamente todo o otimismo que tento carregar comigo durante a diálise desapareceu. 
Nesse momento, já sem otimismo nenhum, somente sentimentos de derrota vinham em minha mente. Fiquei pensando em quantas pessoas reclamavam do que eram e de que a vida delas eram difíceis sem nem ter um bom motivo para justificar essa “reclamação gratuita”, e  mesmo assim elas estavam soltas, com oportunidade de fazer o que queriam e não aproveitavam, desperdiçando a vida que tem nas mãos e eu estava lá com sede de viver, vendo somente a morte na minha frente, sem a chance nem de ajudar.
Depois de todo escândalo e desespero, eu fui informada que ela tinha Alzheimer e que estava sob efeito de sedativos, mas que a hemodiálise foi tirando aos poucos o sedativo dela e por esse motivo ela foi despertando lentamente e quando acordou fez o escândalo que fez, mas o estrago nos meus pensamentos já estava feito, meu corpo doía todo de tanto estresse emocional que sofri durante a sessão e ao final da hemodiálise, me sentia destruída por dentro, mas era uma destruição pessoal, não podia espalhar esse sentimento como se fosse um vírus, então, ao passar para o outro lado da porta, o lado onde a vida continua, onde as pessoas podem fazer o que querem, eu simplesmente respirei fundo e abri um sorriso, o mesmo sorriso que dou sempre quando saio da clinica, e me despeço dos acompanhantes com os olhos de "tudo esta bem", mas com o sentimento "vamos logo embora daqui", dei as costas refletindo que essa é minha realidade e a realidade de todos que passam pro lado de dentro daquela porta.
Quando você vive algo assim, uma venda cai de seus olhos, e problemas insignificantes se tornam realmente insignificantes e você enxerga realmente o que é um problema, o que faz realmente diferença, o que IMPORTA e o que NÃO IMPORTA.
Eu só estou escrevendo isso, pois eu queria que as pessoas que tem saúde enxergassem que problemas como atrasar no trabalho e levar uma bronca do chefe, receber uma multa, ser reprovado em algum teste, ter dívidas, levar um fora de alguém, entre outras coisas, são problemas que você pode contornar, e se parar para pensar, você mesmo causou esses problemas. Não quer levar bronca do chefe? Saia mais cedo. Não quer ser multado? Não cometa mais nenhuma infração, preste atenção. Não quer ser reprovado? Estude mais, seja responsável. Não quer ter dividas? Tenha disciplina, não gaste mais do que você pode pagar. Não quer levar um fora? Tenha tato, invista em pessoas que combine com você. 
Quando acontecem essas coisas é chato? É! Mas basta refletir, se você tem saúde, você tem tudo, você pode tudo. A maioria dos problemas que as pessoas reclamam, perdem noites, se estressam, podem ser contornados, pois depende delas mesmo. Poucas atitudes podem mudar a situação, basta força de vontade e consciência do que realmente importa. Para que criar mais problemas, indo beber, indo fumar, ingerindo drogas (isso inclui calmante, relaxantes, etc.), que servem somente para fugir do problema? Por que não enfrenta-lo? E quem desconta suas frustrações em terceiros? Isso faz com que o problema se afaste? Não, isso triplica o seu problema.
Eu queria que essas pessoas que reclamam por pouco, que criam os próprios problemas, ou pior, que tentam resolver seus problemas através de vícios e acabam criando outros maiores, que essas pessoas passassem alguns minutos do outro lado da porta, onde existem dezenas seres humanos lutando para viver, que apesar das limitações, ainda agradecem pela vida que tem, só para enxergarem assim como eu hoje enxergo, o que importa e o que não me importa.
Infelizmente ainda precisamos ver outros piores que nós, para entender o quanto somos felizes.

Do outro lado da porta...


Ser renal crônico em processo de diálise todo mundo sabe que não é fácil, mas geralmente durante a hemodiálise as coisas são calmas, pois os técnicos ajudam muito fazendo brincadeiras e entre os pacientes mesmo rolam conversas que acabam distraindo bastante.
Quando eu passo pelo outro lado da porta, onde eu tenho que iniciar um tratamento que vai me ajudar a continuar viva, eu sempre peço para correr tudo bem, não só comigo, mas com todos que estão lá, o que na maioria das vezes acontece.
O problema é quando chega um paciente que esta em estado grave, e você é obrigado a assistir bem na sua frente uma pessoa extremamente debilitada dialisando. Estar amarrada nessa hora, sem poder correr do lugar para não testemunhar algo assim é muito difícil, tem que ter muito estomago, muita força e muita fé.
Eu me considerava com sorte, por nunca ter feito parte de um momento desses, mas sabia que um dia iria acontecer, e esse dia foi na terça (17/05/2011). 
Uma senhora foi para meu Box, pois a Dna. A. pediu transferência de clinica. No começo da sessão foi tudo tranquilo, essa senhora dormiu boa parte do tempo, contudo, após o café ela começou a se movimentar lentamente, como se estivesse despertando bem devagar, eu como estava sem sono e sem paciência para ver filme no PSP, passei a prestar atenção nessa senhora, algo parecia estar estranho, então fiquei atenta, pois ao menor sinal de que algo não iria bem eu solicitar ajuda. Acho que ela ficou por mais ou menos uma hora nesse estagio de movimentos letárgicos, mas enfim despertou de vez. Ela começou a sussurrar  "ai, ai, ai", no terceiro "ai" eu já estava chamando um técnico para socorrê-la, com muita calma um dos técnicos chegou, mediu a pressão dela que estava normal  e saiu de perto, ela continuou "ai, ai, ai..." e eu caí em desespero, chamei novamente um  técnico, dessa vez era outro, que mediu a pressão, perguntou onde estava doendo, mas ela não respondia onde doía, só falava que iria morrer para chamar os filhos dela, o técnico devolveu um pouco de soro para ela e logo saiu de perto. A senhora não parava com os "ai, ai, ai..." e eu desesperada o tempo todo chamava alguém para ajudar, de repente ela parou com o "ai, ai, ai..." e começou a gritar, "socorro, me tira daqui....", "meus Deus, me poupe disso...", "por favor ajuda, por favor meus Deus...", "chama meus filhos, eu não quero morrer sozinha", e ficou gritando nessa mesma ordem as frases, como se fosse uma musica de terror. Eu não sabia se chorava, conversava com o psicólogo que estava tentando saber como foi minha semana ou se pedia para ser desligada e fugia da clinica. Foi uma angustia ver o desespero daquela senhora, que a sensação de impotência caiu em minha cabeça e praticamente todo o otimismo que tento carregar comigo durante a diálise desapareceu. 
Nesse momento, já sem otimismo nenhum, somente sentimentos de derrota vinham em minha mente. Fiquei pensando em quantas pessoas reclamavam do que eram e de que a vida delas eram difíceis sem nem ter um bom motivo para justificar essa “reclamação gratuita”, e  mesmo assim elas estavam soltas, com oportunidade de fazer o que queriam e não aproveitavam, desperdiçando a vida que tem nas mãos e eu estava lá com sede de viver, vendo somente a morte na minha frente, sem a chance nem de ajudar.
Depois de todo escândalo e desespero, eu fui informada que ela tinha Alzheimer e que estava sob efeito de sedativos, mas que a hemodiálise foi tirando aos poucos o sedativo dela e por esse motivo ela foi despertando lentamente e quando acordou fez o escândalo que fez, mas o estrago nos meus pensamentos já estava feito, meu corpo doía todo de tanto estresse emocional que sofri durante a sessão e ao final da hemodiálise, me sentia destruída por dentro, mas era uma destruição pessoal, não podia espalhar esse sentimento como se fosse um vírus, então, ao passar para o outro lado da porta, o lado onde a vida continua, onde as pessoas podem fazer o que querem, eu simplesmente respirei fundo e abri um sorriso, o mesmo sorriso que dou sempre quando saio da clinica, e me despeço dos acompanhantes com os olhos de "tudo esta bem", mas com o sentimento "vamos logo embora daqui", dei as costas refletindo que essa é minha realidade e a realidade de todos que passam pro lado de dentro daquela porta.
Quando você vive algo assim, uma venda cai de seus olhos, e problemas insignificantes se tornam realmente insignificantes e você enxerga realmente o que é um problema, o que faz realmente diferença, o que IMPORTA e o que NÃO IMPORTA.
Eu só estou escrevendo isso, pois eu queria que as pessoas que tem saúde enxergassem que problemas como atrasar no trabalho e levar uma bronca do chefe, receber uma multa, ser reprovado em algum teste, ter dívidas, levar um fora de alguém, entre outras coisas, são problemas que você pode contornar, e se parar para pensar, você mesmo causou esses problemas. Não quer levar bronca do chefe? Saia mais cedo. Não quer ser multado? Não cometa mais nenhuma infração, preste atenção. Não quer ser reprovado? Estude mais, seja responsável. Não quer ter dividas? Tenha disciplina, não gaste mais do que você pode pagar. Não quer levar um fora? Tenha tato, invista em pessoas que combine com você. 
Quando acontecem essas coisas é chato? É! Mas basta refletir, se você tem saúde, você tem tudo, você pode tudo. A maioria dos problemas que as pessoas reclamam, perdem noites, se estressam, podem ser contornados, pois depende delas mesmo. Poucas atitudes podem mudar a situação, basta força de vontade e consciência do que realmente importa. Para que criar mais problemas, indo beber, indo fumar, ingerindo drogas (isso inclui calmante, relaxantes, etc.), que servem somente para fugir do problema? Por que não enfrenta-lo? E quem desconta suas frustrações em terceiros? Isso faz com que o problema se afaste? Não, isso triplica o seu problema.
Eu queria que essas pessoas que reclamam por pouco, que criam os próprios problemas, ou pior, que tentam resolver seus problemas através de vícios e acabam criando outros maiores, que essas pessoas passassem alguns minutos do outro lado da porta, onde existem dezenas seres humanos lutando para viver, que apesar das limitações, ainda agradecem pela vida que tem, só para enxergarem assim como eu hoje enxergo, o que importa e o que não me importa.
Infelizmente ainda precisamos ver outros piores que nós, para entender o quanto somos felizes.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Uma batalha perdida?!


(Tem vezes que me sinto igual os participantes desse programa 1 contra 100, sou eu tentando eliminar 100 problemas... Eu chego lá...)

Semana passada o Dr. L. chegou a conclusão que eu faria hemodiálise somente 2x por semana. A maioria que lê esse blog deve estar pensando "que legal!", "que felicidade!", "isso é um bom sinal!", mas não, no meu caso não, eu vou diminuir a quantidade de sessões porque meu corpo não aguenta, não pelos meus exames estarem de acordo para duas sessões por semana. Acho que é a ultima tentativa de continuar na hemodiálise, antes de ir para a diálise peritoneal.
Não estou fazendo propaganda contra a diálise peritoneal, mas cada pessoa se acostuma mais a um tipo de tratamento, e eu apesar de nunca ter tentado a peritoneal, torço muito o nariz para esse tipo de diálise, pois já fiquei sete meses com um cateter pendurado no corpo e quando fui para fistula o alivio foi tão grande que não quero saber de outro cateter no meu corpo.
Bom, agora é seguir 2x por semana, limitando mais ainda minha dieta liquida, frutas, verduras, e torcer para tudo dar certo.
Minha pressão melhorou essa semana que só fiz 2x a hemodiálise, mas na clinica ela ainda fica muito baixa e eu ainda passo mal.

Enfim, essa batalha foi perdida, mas a Guerra continua :)

Tambem fui ao hospital Brigadeiro (Hospital do Transplante) semana passada para passar no anestesista, e antes da consulta consegui adiantar o Eletrocardiograma, uma enfermeira muito querida se ofereceu para fazer o exame na hora, eu havia ido trocar o dia desse exame, pois não iria conseguir ir na data marcada, ela ficou tão comovida com meu caso que quis fazer naquela hora mesmo, após o exame pedi para abraçá-la, pois vi que ela estava emocionalmente abalada, nunca tinha visto uma reação daquela com um desconhecido, foi um momento muito especial, são situações assim que fazem eu acreditar que ainda existem pessoas que nasceram para determinadas profissões, é uma enfermeira muito humana. No Eletrocardiograma não acusou nada segundo o anestesista e ele me liberou para operar as paratireóides, ainda explicou como funciona a operação, foi muito simpático e divertido, alias, não tenho do que reclamar do hospital Brigadeiro, os profissionais de lá sempre me atendem muito bem.


Meu convenio faliu e esse mês estou desamparada, pois o atual convenio não dava conta nem dos próprios clientes, imagina agora com 3x mais clientes? Não entendo como a ANS aprovou um absurdo desses, pura desorganização, enfim, dores de cabeça referente a isso virão em breve, já estou prevendo.

Agradeço os e-mails que ando recebendo, é muito bom compartilhar experiências e saber que em alguns casos esse site esta ajudando, a intensão é apenas essa AJUDAR :)

Uma batalha perdida?!


(Tem vezes que me sinto igual os participantes desse programa 1 contra 100, sou eu tentando eliminar 100 problemas... Eu chego lá...)

Semana passada o Dr. L. chegou a conclusão que eu faria hemodiálise somente 2x por semana. A maioria que lê esse blog deve estar pensando "que legal!", "que felicidade!", "isso é um bom sinal!", mas não, no meu caso não, eu vou diminuir a quantidade de sessões porque meu corpo não aguenta, não pelos meus exames estarem de acordo para duas sessões por semana. Acho que é a ultima tentativa de continuar na hemodiálise, antes de ir para a diálise peritoneal.
Não estou fazendo propaganda contra a diálise peritoneal, mas cada pessoa se acostuma mais a um tipo de tratamento, e eu apesar de nunca ter tentado a peritoneal, torço muito o nariz para esse tipo de diálise, pois já fiquei sete meses com um cateter pendurado no corpo e quando fui para fistula o alivio foi tão grande que não quero saber de outro cateter no meu corpo.
Bom, agora é seguir 2x por semana, limitando mais ainda minha dieta liquida, frutas, verduras, e torcer para tudo dar certo.
Minha pressão melhorou essa semana que só fiz 2x a hemodiálise, mas na clinica ela ainda fica muito baixa e eu ainda passo mal.

Enfim, essa batalha foi perdida, mas a Guerra continua :)

Tambem fui ao hospital Brigadeiro (Hospital do Transplante) semana passada para passar no anestesista, e antes da consulta consegui adiantar o Eletrocardiograma, uma enfermeira muito querida se ofereceu para fazer o exame na hora, eu havia ido trocar o dia desse exame, pois não iria conseguir ir na data marcada, ela ficou tão comovida com meu caso que quis fazer naquela hora mesmo, após o exame pedi para abraçá-la, pois vi que ela estava emocionalmente abalada, nunca tinha visto uma reação daquela com um desconhecido, foi um momento muito especial, são situações assim que fazem eu acreditar que ainda existem pessoas que nasceram para determinadas profissões, é uma enfermeira muito humana. No Eletrocardiograma não acusou nada segundo o anestesista e ele me liberou para operar as paratireóides, ainda explicou como funciona a operação, foi muito simpático e divertido, alias, não tenho do que reclamar do hospital Brigadeiro, os profissionais de lá sempre me atendem muito bem.


Meu convenio faliu e esse mês estou desamparada, pois o atual convenio não dava conta nem dos próprios clientes, imagina agora com 3x mais clientes? Não entendo como a ANS aprovou um absurdo desses, pura desorganização, enfim, dores de cabeça referente a isso virão em breve, já estou prevendo.

Agradeço os e-mails que ando recebendo, é muito bom compartilhar experiências e saber que em alguns casos esse site esta ajudando, a intensão é apenas essa AJUDAR :)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Resultados dos Exames...

PRE HEMODIALISE:
Hemoglobina: 10,7
Hematocrito: 31,4

Ureia: 101,5
Calcio Ionico: 1,23
Fosforo: 5,6

Potassio: 4,0
TGP: 10
Alumínio: 6


POS HEMODIALISE:

Ureia: 34,9


Resultados dos Exames...


Hemoglobina: 10,7
Hematocrito: 31,4
Ureia: 101,5
Calcio Ionico: 1,23
Fosforo: 5,6
Potassio: 4,0
TGP: 10
Alumínio: 6




PÓS HEMODIALISE:
Ureia: 34,9

sexta-feira, 6 de maio de 2011

"Bem vindo à Hemodialise"


Q
uando eu soube que teria que fazer hemodiálise eu não imaginava o tanto de informação que teria que absorver para fazer o tratamento de forma correta, eu resolvi escrever como funciona a rotina (básica) de uma clinica e o significado das palavras mais utilizadas.

Bom, antes de iniciar seu tratamento, é feita uma entrevista médica, onde o profissional irá determinar como será feito seu tratamento, como tempo de cada sessão, peso seco (que será definido com mais precisão durante as primeiras sessões), em que lugar você vai ficar (existem salas separadas para pacientes com Hepatite e HIV). Geralmente no dia da entrevista é coletado um exame de sangue e através dele será determinado os remédios a serem receitados.

É necessário que tenha algum acesso para fazer a sessão, pode ser através do Cateter ou da Fistula.

Quando você chega na clinica, a primeira coisa que faz é se pesar e medir sua pressão. O técnico de enfermagem que esta encarregado de seu box / sala /etc irá anotar os dados em seu prontuário, e através da informação do seu peso seco, ele irá programar na maquina quanto peso você irá perder na sessão, em seguida será feita a punção com duas agulhas em sua fistula, ou vai ligar a linha (as famosas mangueirinhas) diretamente no seu cateter. De qualquer forma, são 2 acessos, um para puxar o sangue e transporta-ló até o capilar (filtro) e outro acesso para devolver o sangue já filtrado.

Logo no começo da sessão é aplicada uma dose de heparina, para evitar que o sangue coagule no processo da hemodiálise.

As sessões duram em média 4 horas, e durante essas 4 horas você poderá dormir (já que na maioria das clinicas, as cadeiras são reclináveis), ler, bater papo com os colegas que estão dialisando perto, etc.

Aproximadamente na metade da sessão é servido algum alimento, geralmente um lanche, que ajuda o paciente a aguentar o restante da sessão, já que a hemodiálise não retira somente as toxinas, muitas vitaminas são perdidas no tratamento e é normal que dê hipotensão durante as sessões, então é muito importante comer alguma coisa. Geralmente após o lanche a pressão é verificada novamente.

Ao final da sessão, o  sangue é devolvido junto com uma certa quantidade de soro (que faz com que a menor quantidade possível de sangue permaneça na linha), alguns medicamentos podem ser injetados direto na linha, vai depender da conduta de cada clinica, contudo dependendo da necessidade, após a sessão o paciente recebe a medicação injetada subcutaneamente no braço ou na barriga.

Novamente a pressão é medida, o curativo na fistula ou cateter é feito e você se pesa para saber se retirou o peso definido pelo médico.

20 dicas que só um paciente saberia dar:
1- Use basicamente o mesmo estilo de roupa, para não dar diferença no peso.
2- Use roupas básicas, não vá de plumas e paetês para a hemodiálise, alguns produtos utilizados na limpeza e manutenção das maquinas mancham as roupas, e como as vezes esses produtos são espirrados acidentalmente em você, perder uma blusa e uma calça é comum (no começo eu perdi várias blusinhas, rsrs, principalmente por que usava cateter).
3- Use roupas confortáveis e que se ajustem ao corpo, pois se você tirar muito peso, ao andar você pode ficar sem calça (já vi acontecer 2x).
4- Leve uma manta, um edredom ou similar, geralmente o ambiente é gelado, e você pode passar muito frio.
5- Carregue sempre um doce e um salgado, é comum após a hemodiálise dar uma crise de hipotensão (necessitando um salgado) ou de hipoglicemia (necessitando de um doce)
6- Anote sempre seu peso, pressão e quanto de peso retirou, isso ajuda a diagnosticar uma serie de problemas que podem surgir durante o tratamento.
7- Anote sempre que tomar uma medicação,  e se existir alguma reação além de informar ao médico, anote.
8- Faça um check-up anual, verifique principalmente a visão, audição e o sistema cardíaco, que são os mais afetados pela hemodiálise.
9- Peça para o enfermeiro lhe passar o esquema da vacina da Hepatite B, pacientes em hemodiálise devem tomar 3 doses duplas da vacina para tentar pegar imunidade (uma minoria apesar de fazer o esquema corretamente não pega imunidade).
10- Sempre que chegar na clinica, olhe seu capilar e veja se seu nome esta fixado nele.
11- Se tem fistula, ao chegar na clinica lave bem o braço com sabão antes de receber as punções.
12- Compre uma capa e antes de sentar, coloque a capa na cadeira.
13- Se começar a suar frio, esta tendo crise de hipoglicemia, avise o técnico, não segure o sintoma pois você pode entrar em choque.
14- Se sentir a visão ficando turva, o corpo amolecendo, você esta tendo uma crise de hipotensão, avise o técnico, resistir ao sintoma pode fazer no mínimo você desmaiar.
15- Se sentir enjoado com uma vontade de vomitar, você esta tendo uma crise de hipertensão, avise o técnico, segurar o sintoma lhe trará uma dor de cabeça horrível, além de correr um serio risco de se vomitar todo.
16- Se sentir câimbras, é sinal que a maquina tirou muito peso seu, avise o técnico, ele vai diminuir a quantidade de peso a ser retirado ou irá desligar a maquina.
17- Ao final da sessão verifique se o medicamento receitado foi administrado.
18- Ajude o próximo, as vezes um companheiro da frente/do lado esta passando mal e não consegue nem chamar alguém para socorrer, não tenha receio, chame o técnico e diga que acha que a pessoa não esta bem.
19- Procure fazer algo útil durante a sessão. Se não consegue dormir, leve um livro, revista, um jogo (eu levo um PSP), escute radio pelo celular, só não deixe a mente ficar pensando abobrinha.
20- Faça sua parte e deixe os profissionais fazerem a deles, se meter no trabalho dos outros atrapalha o funcionamento da clinica, se envolva apenas quando você dominar bem o assunto e perceber alguma irregularidade (isso vale principalmente para os acompanhantes).

Dicionário:
Capilar: É o filtro por onde seu sangue vai percorrer para se livrar das toxinas, ele é único, só poderá ser utilizado por você, então deve ter seu nome e ser utilizado apenas 12x e descartado em seguida.
Heparina: É um medicamento que evita a coagulação do sangue, quando administrada em exagero pode aparecer hematomas pelo corpo, seu médico irá definir a quantidade ideal para seu caso.

Hipertensão: É o aumento da pressão arterial.

Hipoglicemia: A queda de açúcar no sangue.

Hipotensão: É a queda da pressão arterial.

Linha: São as mangueiras por onde seu sangue percorre do seu corpo até o capilar, e do capilar retornar para seu corpo. Também são únicas, nenhum outro paciente poderá utilizar esse material.

Peso seco: É o peso no qual você sai bem da hemodiálise. Ex: Pesei-me 55 kg, mas estou inchada e com falta de ar, quando estou com 53 kg me sinto bem, então meu peso seco é 53 kg, e no caso teria que tirar 2 kg de excesso de líquidos mais 500g do soro que recebo e o lanche que como durante a sessão, ou seja, 2,5kg. Sempre é tirado algumas gramas a mais para compensar o soro e o lanche, esse valor irá de acordo com cada clinica.

Prontuário: É seu histórico clinico, onde fica registrado todas as pressões medidas, seu peso, medicação dada, intercorrências, etc.

Punção: É a aplicação da agulha na fistula.

Nota: Cada clinica administra de uma forma o tratamento aos pacientes, mas as operações básicas são praticamente as mesmas.

"Bem vindo à Hemodialise"


Q
uando eu soube que teria que fazer hemodiálise eu não imaginava o tanto de informação que teria que absorver para fazer o tratamento de forma correta, eu resolvi escrever como funciona a rotina (básica) de uma clinica e o significado das palavras mais utilizadas.

Bom, antes de iniciar seu tratamento, é feita uma entrevista médica, onde o profissional irá determinar como será feito seu tratamento, como tempo de cada sessão, peso seco (que será definido com mais precisão durante as primeiras sessões), em que lugar você vai ficar (existem salas separadas para pacientes com Hepatite e HIV). Geralmente no dia da entrevista é coletado um exame de sangue e através dele será determinado os remédios a serem receitados.

É necessário que tenha algum acesso para fazer a sessão, pode ser através do Cateter ou da Fistula.

Quando você chega na clinica, a primeira coisa que faz é se pesar e medir sua pressão. O técnico de enfermagem que esta encarregado de seu box / sala /etc irá anotar os dados em seu prontuário, e através da informação do seu peso seco, ele irá programar na maquina quanto peso você irá perder na sessão, em seguida será feita a punção com duas agulhas em sua fistula, ou vai ligar a linha (as famosas mangueirinhas) diretamente no seu cateter. De qualquer forma, são 2 acessos, um para puxar o sangue e transporta-ló até o capilar (filtro) e outro acesso para devolver o sangue já filtrado.

Logo no começo da sessão é aplicada uma dose de heparina, para evitar que o sangue coagule no processo da hemodiálise.

As sessões duram em média 4 horas, e durante essas 4 horas você poderá dormir (já que na maioria das clinicas, as cadeiras são reclináveis), ler, bater papo com os colegas que estão dialisando perto, etc.

Aproximadamente na metade da sessão é servido algum alimento, geralmente um lanche, que ajuda o paciente a aguentar o restante da sessão, já que a hemodiálise não retira somente as toxinas, muitas vitaminas são perdidas no tratamento e é normal que dê hipotensão durante as sessões, então é muito importante comer alguma coisa. Geralmente após o lanche a pressão é verificada novamente.

Ao final da sessão, o  sangue é devolvido junto com uma certa quantidade de soro (que faz com que a menor quantidade possível de sangue permaneça na linha), alguns medicamentos podem ser injetados direto na linha, vai depender da conduta de cada clinica, contudo dependendo da necessidade, após a sessão o paciente recebe a medicação injetada subcutaneamente no braço ou na barriga.

Novamente a pressão é medida, o curativo na fistula ou cateter é feito e você se pesa para saber se retirou o peso definido pelo médico.

20 dicas que só um paciente saberia dar:
1- Use basicamente o mesmo estilo de roupa, para não dar diferença no peso.
2- Use roupas básicas, não vá de plumas e paetês para a hemodiálise, alguns produtos utilizados na limpeza e manutenção das maquinas mancham as roupas, e como as vezes esses produtos são espirrados acidentalmente em você, perder uma blusa e uma calça é comum (no começo eu perdi várias blusinhas, rsrs, principalmente por que usava cateter).
3- Use roupas confortáveis e que se ajustem ao corpo, pois se você tirar muito peso, ao andar você pode ficar sem calça (já vi acontecer 2x).
4- Leve uma manta, um edredom ou similar, geralmente o ambiente é gelado, e você pode passar muito frio.
5- Carregue sempre um doce e um salgado, é comum após a hemodiálise dar uma crise de hipotensão (necessitando um salgado) ou de hipoglicemia (necessitando de um doce)
6- Anote sempre seu peso, pressão e quanto de peso retirou, isso ajuda a diagnosticar uma serie de problemas que podem surgir durante o tratamento.
7- Anote sempre que tomar uma medicação,  e se existir alguma reação além de informar ao médico, anote.
8- Faça um check-up anual, verifique principalmente a visão, audição e o sistema cardíaco, que são os mais afetados pela hemodiálise.
9- Peça para o enfermeiro lhe passar o esquema da vacina da Hepatite B, pacientes em hemodiálise devem tomar 3 doses duplas da vacina para tentar pegar imunidade (uma minoria apesar de fazer o esquema corretamente não pega imunidade).
10- Sempre que chegar na clinica, olhe seu capilar e veja se seu nome esta fixado nele.
11- Se tem fistula, ao chegar na clinica lave bem o braço com sabão antes de receber as punções.
12- Compre uma capa e antes de sentar, coloque a capa na cadeira.
13- Se começar a suar frio, esta tendo crise de hipoglicemia, avise o técnico, não segure o sintoma pois você pode entrar em choque.
14- Se sentir a visão ficando turva, o corpo amolecendo, você esta tendo uma crise de hipotensão, avise o técnico, resistir ao sintoma pode fazer no mínimo você desmaiar.
15- Se sentir enjoado com uma vontade de vomitar, você esta tendo uma crise de hipertensão, avise o técnico, segurar o sintoma lhe trará uma dor de cabeça horrível, além de correr um serio risco de se vomitar todo.
16- Se sentir câimbras, é sinal que a maquina tirou muito peso seu, avise o técnico, ele vai diminuir a quantidade de peso a ser retirado ou irá desligar a maquina.
17- Ao final da sessão verifique se o medicamento receitado foi administrado.
18- Ajude o próximo, as vezes um companheiro da frente/do lado esta passando mal e não consegue nem chamar alguém para socorrer, não tenha receio, chame o técnico e diga que acha que a pessoa não esta bem.
19- Procure fazer algo útil durante a sessão. Se não consegue dormir, leve um livro, revista, um jogo (eu levo um PSP), escute radio pelo celular, só não deixe a mente ficar pensando abobrinha.
20- Faça sua parte e deixe os profissionais fazerem a deles, se meter no trabalho dos outros atrapalha o funcionamento da clinica, se envolva apenas quando você dominar bem o assunto e perceber alguma irregularidade (isso vale principalmente para os acompanhantes).

Dicionário:
Capilar: É o filtro por onde seu sangue vai percorrer para se livrar das toxinas, ele é único, só poderá ser utilizado por você, então deve ter seu nome e ser utilizado apenas 12x e descartado em seguida.
Heparina: É um medicamento que evita a coagulação do sangue, quando administrada em exagero pode aparecer hematomas pelo corpo, seu médico irá definir a quantidade ideal para seu caso.

Hipertensão: É o aumento da pressão arterial.

Hipoglicemia: A queda de açúcar no sangue.

Hipotensão: É a queda da pressão arterial.

Linha: São as mangueiras por onde seu sangue percorre do seu corpo até o capilar, e do capilar retornar para seu corpo. Também são únicas, nenhum outro paciente poderá utilizar esse material.

Peso seco: É o peso no qual você sai bem da hemodiálise. Ex: Pesei-me 55 kg, mas estou inchada e com falta de ar, quando estou com 53 kg me sinto bem, então meu peso seco é 53 kg, e no caso teria que tirar 2 kg de excesso de líquidos mais 500g do soro que recebo e o lanche que como durante a sessão, ou seja, 2,5kg. Sempre é tirado algumas gramas a mais para compensar o soro e o lanche, esse valor irá de acordo com cada clinica.

Prontuário: É seu histórico clinico, onde fica registrado todas as pressões medidas, seu peso, medicação dada, intercorrências, etc.

Punção: É a aplicação da agulha na fistula.

Nota: Cada clinica administra de uma forma o tratamento aos pacientes, mas as operações básicas são praticamente as mesmas.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Apego...

(: Algumas das balas que ganhei do Sr. J. :)

C
onviver 3x por semana com as mesmas pessoas faz com que você crie laços, conviver 3x por semana com pessoas que estão na mesma situação que você, faz com que você crie laços maiores ainda, pois só quem vive o que você vive entende 100% tudo o que se passa com você.
O bom de ter esse tipo de convívio é que você troca experiências, quando precisa desabafar as outras pessoas sabem no fundo o que você esta querendo dizer. O lado ruim, é que por ser um tratamento que muitas vezes força o organismo, as vezes temos que dizer adeus aos nosso companheiros que estamos tão acostumados a ver 3x por semana. O adeus nem sempre vem pela morte, mas por uma troca de tratamento, transferência de clinica e o adeus mais feliz, o de quando uma pessoa vai transplantar.
As pessoas que fazem hemodiálise criam vínculos umas com as outras, nasce uma grande família, e se apegar a essas pessoas é inevitável, pois com elas você ri, com elas você se preocupa e com elas você chora. Elas se tornam mais próximas que as amizades mais antigas que você possui, se tornam mais próximas que seus familiares, pois você convive por mais tempo.
Eu já disse adeus a quatro pessoas queridas em um ano e meio de tratamento. Graças a Deus, três desses foram por bons motivos, dois transplantes e uma gravidez/transferência de clinica, infelizmente um adeus foi falecimento, mas quando uma pessoa chega a um estado de sofrimento, esse adeus vem como um alívio.
Dessas quatro despedidas, a ultima me marcou muito e eu nem sei explicar bem o porquê, simplesmente sinto uma tremenda falta, mas me consola saber que a pessoa esta bem.
Quando cheguei a clinica sábado em um passado não tão distante e fiquei sabendo que o Sr. J. havia sido transplantado, eu fiquei em um misto de preocupação e felicidade.
Os dias foram passando e na hemodiálise as coisas foram se tornando sem graça. O Sr. J. era boa parte do meu divertimento (isso mesmo) e distração lá na clinica. Ele adorava comentar sobre filmes, vivíamos competindo quem ficaria com a pressão melhor durante a hemodiálise e eu sempre ganhava maravilhosas balas de milho, rsrs.
É... Eu me apeguei demais naquele senhor que era sistemático com suas revistas, que até me emprestava, mas sempre ficava de olho para eu não amassar ou sujar as paginas, rsrsrs
No ultimo sábado ele apareceu na clinica, pois é, foi com 31 dias de transplantado que o louquinho aparece lá, levou remédios que ele não iria usar mais (agora tenho um estoque de complexo B, rsrs) e me trouxe um saco fechado de bala de milho, rsrs...
Segurei o quanto pude, mas assim que ele passou pela porta de saída, caí em prantos, a técnica de enfermagem em principio se assustou com minha choradeira, mas expliquei que estava apenas emocionada por ver o meu amigo, o meu "tiozão" (ele odeia ser chamado assim, hahahaha), o querido Sr. J. Ver ele vendendo saúde me emocionou e me encheu de alegria, mas ao mesmo tempo me bateu uma saudade de conviver com ele toda semana, mas enfim, é por um bom motivo, outros apegos virão e irão.
Assim funciona a vida, nada dura para sempre, por isso é preciso aproveitar cada momento.
O carinho que recebi nessa visita dele, me fez perceber que deixei com ele o melhor que pude dar nesse tempo de convivência, e isso deve se repetir com todas as outras pessoas a minha volta, quero deixar sempre o melhor que puder, pois no dia que tiver de dar adeus, será com amor, jamais com rancor.
As pessoas deveriam perceber isso, e fazer o mesmo, não é só a morte que afasta as pessoas, a vida também pode afastar, então vamos deixar todos com o nosso melhor.
Essa foi a ultima lição que aprendi, e outras lições virão :)
O apego é inevitável, a memória que deixamos é nossa herança.

Obrigada Sr. J. por todo carinho, o convívio não será o mesmo, mas sempre vou entrar em contato para ter noticias do Senhor. Que Deus conserve por muitos e muitos anos o enxerto (Rim transplantado) e guie sempre seu caminho e de sua família. 

Apego...

(: Algumas das balas que ganhei do Sr. J. :)

C
onviver 3x por semana com as mesmas pessoas faz com que você crie laços, conviver 3x por semana com pessoas que estão na mesma situação que você, faz com que você crie laços maiores ainda, pois só quem vive o que você vive entende 100% tudo o que se passa com você.
O bom de ter esse tipo de convívio é que você troca experiências, quando precisa desabafar as outras pessoas sabem no fundo o que você esta querendo dizer. O lado ruim, é que por ser um tratamento que muitas vezes força o organismo, as vezes temos que dizer adeus aos nosso companheiros que estamos tão acostumados a ver 3x por semana. O adeus nem sempre vem pela morte, mas por uma troca de tratamento, transferência de clinica e o adeus mais feliz, o de quando uma pessoa vai transplantar.
As pessoas que fazem hemodiálise criam vínculos umas com as outras, nasce uma grande família, e se apegar a essas pessoas é inevitável, pois com elas você ri, com elas você se preocupa e com elas você chora. Elas se tornam mais próximas que as amizades mais antigas que você possui, se tornam mais próximas que seus familiares, pois você convive por mais tempo.
Eu já disse adeus a quatro pessoas queridas em um ano e meio de tratamento. Graças a Deus, três desses foram por bons motivos, dois transplantes e uma gravidez/transferência de clinica, infelizmente um adeus foi falecimento, mas quando uma pessoa chega a um estado de sofrimento, esse adeus vem como um alívio.
Dessas quatro despedidas, a ultima me marcou muito e eu nem sei explicar bem o porquê, simplesmente sinto uma tremenda falta, mas me consola saber que a pessoa esta bem.
Quando cheguei a clinica sábado em um passado não tão distante e fiquei sabendo que o Sr. J. havia sido transplantado, eu fiquei em um misto de preocupação e felicidade.
Os dias foram passando e na hemodiálise as coisas foram se tornando sem graça. O Sr. J. era boa parte do meu divertimento (isso mesmo) e distração lá na clinica. Ele adorava comentar sobre filmes, vivíamos competindo quem ficaria com a pressão melhor durante a hemodiálise e eu sempre ganhava maravilhosas balas de milho, rsrs.
É... Eu me apeguei demais naquele senhor que era sistemático com suas revistas, que até me emprestava, mas sempre ficava de olho para eu não amassar ou sujar as paginas, rsrsrs
No ultimo sábado ele apareceu na clinica, pois é, foi com 31 dias de transplantado que o louquinho aparece lá, levou remédios que ele não iria usar mais (agora tenho um estoque de complexo B, rsrs) e me trouxe um saco fechado de bala de milho, rsrs...
Segurei o quanto pude, mas assim que ele passou pela porta de saída, caí em prantos, a técnica de enfermagem em principio se assustou com minha choradeira, mas expliquei que estava apenas emocionada por ver o meu amigo, o meu "tiozão" (ele odeia ser chamado assim, hahahaha), o querido Sr. J. Ver ele vendendo saúde me emocionou e me encheu de alegria, mas ao mesmo tempo me bateu uma saudade de conviver com ele toda semana, mas enfim, é por um bom motivo, outros apegos virão e irão.
Assim funciona a vida, nada dura para sempre, por isso é preciso aproveitar cada momento.
O carinho que recebi nessa visita dele, me fez perceber que deixei com ele o melhor que pude dar nesse tempo de convivência, e isso deve se repetir com todas as outras pessoas a minha volta, quero deixar sempre o melhor que puder, pois no dia que tiver de dar adeus, será com amor, jamais com rancor.
As pessoas deveriam perceber isso, e fazer o mesmo, não é só a morte que afasta as pessoas, a vida também pode afastar, então vamos deixar todos com o nosso melhor.
Essa foi a ultima lição que aprendi, e outras lições virão :)
O apego é inevitável, a memória que deixamos é nossa herança.

Obrigada Sr. J. por todo carinho, o convívio não será o mesmo, mas sempre vou entrar em contato para ter noticias do Senhor. Que Deus conserve por muitos e muitos anos o enxerto (Rim transplantado) e guie sempre seu caminho e de sua família.