quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Eu sobrevivo, mas não vivo...

(Os que buscam somente palavras otimistas, por favor, pulem esse texto e vá ao próximo)

Minha pressão atual esta 7x5, estou digitando rápido apenas para registrar alguns detalhes.
Eu acabei de assistir um programa na MTV chamado TrueLife, e o tema era "Eu preciso de um transplante". No caso uma menina de 20 e poucos anos, renal crônica que iria transplantar, pois a mãe iria doar um rim a ela, e um rapaz também com 20 e poucos anos (eu acho) que estava com leucemia, e depois de tanta quimioterapia, precisou de um transplante de medula, onde seu irmão seria o doador. O programa foi emocionante, quase chorei, pois a menina que iria transplantar, já havia transplantado antes, mas perdeu o rim, pois parou de tomar os remédios necessários para manter o rim transplantado funcionando. O rapaz iria receber a medula do irmão., e o medico falando que ele tinha 50% de chance de sobreviver se fizesse o transplante e 90% a 100% de chance de morrer se não fizesse o transplante. Eu fiquei um pouco magoada por ver que a menina não se cuidou, e ainda teve uma segunda chance de receber um novo órgão, fiquei pensando, uns tem muito e outros nada tem.
Ambos fizeram o transplante e deu tudo certo, então quis procurar o vídeo do programa, eu queria disponibilizar aqui, mas na busca acabei descobrindo algo que me deixou abalada, o rapaz que fez o transplante de medula acabou falecendo meses após o transplante. Fiquei revoltada novamente, pois era um rapaz otimista, que nada havia feito para prejudicar o próprio corpo, como fez a menina, que praticamente desperdiçou um órgão. E ele morreu, enquanto a menina até onde eu consegui informação, esta viva. Achei injusto, mas parei para pensar. O primeiro transplante da menina foi aos 13 anos, que pessoa nessa idade vai ter real ciência da importância de tomar todos os remédios que eram necessários. Acredito que nesta idade a obrigação de certificar que a menina estivesse tomando o medicamento corretamente seria dos pais. Enfim, acabei entendendo um pouco o que a menina fez com ela mesma. Mas ainda continuo pensando, por que alguns têm tanto, não dão valor, não aproveitam, parece até que brincam com a vida, enquanto muitos que sonham, se dedicam, querem com toda a vontade do mundo ser, ter, fazer, e não tem absolutamente nada. A menina brincou com a vida esta viva, o rapaz que tanto valorizou a dele, não esta mais aqui.

Isso me chateia...

Daqui alguns dias eu faço 28 anos, não terminei meus estudos,  quase não viajei na vida, não comprei um carro, não comecei a pensar em uma casa própria (e provavelmente nem condição pra isso vou ter), e de forma alguma posso pensar em construir uma família. Há poucos dias o cachorro do vizinho foi sacrificado pois estava doente (mas já estava velhinho) e eu fiquei muito abalada e descobri que nem um cachorro vou poder ter, pois não tenho equilíbrio emocional para dizer adeus a um animal se um dia for necessário. E as pessoas me dizem "que bom que você ficou doente nova, pois você vai conseguir agüentar mais fácil", eu detesto ouvir isso, pois quem fica renal crônico com seus 60, 70 anos, conseguiu ir estudar, ter o seu carro, sua casa e sua família, e se não tem nada disso, pelo menos teve tempo de ir atrás de tudo isso. Se eu chegar aos 60, 70 anos, eu vou estar muito mais debilitada que os que descobriram com 60, 70 anos, então, por favor, TENHAM TATO QUANDO CONVERSAR COM UM RENAL CRONICO.

Desculpem, hoje estou revoltada.

Um comentário:

Lü Sielskis disse...

fuuuuuuu¨*...
¨*sigh¨*

É isso mesmo, poderia ter sido postado por mim...

Abraços¨*