sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Diabetes Mellitus

Definição:
Distúrbio causado pela diminuição na produção de insulina ou pela diminuição da capacidade de utilização da insulina. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, necessário para que as células sejam capazes de utilizar o açúcar no sangue.

Causas, incidência e fatores de risco:
A causa da diabetes melito é desconhecida, mas acredita-se que a hereditariedade e a dieta tenham um papel importante em seu desenvolvimento. A diabetes é desencadeada quando o pâncreas produz quantidades insuficientes de insulina para atender às necessidades do organismo, ou quando o pâncreas produz insulina, mas as células são incapazes de utilizá-la eficazmente (resistência insulínica). A insulina é necessária para que o açúcar no sangue (glicose) chegue ao interior das células; caso isso não ocorra, o organismo não pode utilizá-lo. O excesso de açúcar permanece no sangue e é então eliminado pelos rins. Sintomas como sede excessiva, micção freqüente e fome se desenvolvem. O metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas é alterado.

A diabetes se manifesta de diversas formas. Os tipos mais comuns são: Tipo I, ou diabetes melito insulino-dependente (DMID); Tipo II, ou diabetes melito não-insulino dependente (DMNID); e diabetes melito gestacional.

A diabetes melito insulino-dependente (IDDM ou Tipo I) geralmente se manifesta em pessoas com menos de 30 anos, que devem então receber injeções de insulina. Os fatores de risco da DMID incluem doença auto-imune, infecções virais e antecedentes familiares de diabetes.

A diabetes melito não-insulino dependente (DMNID ou Tipo II) geralmente se manifesta em adultos com excesso de peso (obesos) e raramente requer tratamento com insulina. O tratamento inclui dieta para diabéticos e exercícios. Os fatores de risco para o Tipo II são a obesidade, estresse psicológico ou emocional, gestação, certos medicamentos, idade acima de 40 anos e antecedentes familiares.

A diabetes gestacional inicia-se ou é inicialmente detectada durante a gestação. Geralmente aparece entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Em muitos casos, o nível de glicose no sangue retorna ao normal logo após o parto. Os fatores de risco para diabetes gestacional são idade materna acima de 25 anos, antecedentes familiares de diabetes, obesidade, nascimento anterior de bebês com mais de 3,8 kg (9 libras), morte inexplicável de lactentes ou neonatos, malformação congênita em bebês nascidos anteriormente e infecções recorrentes.

Em países como os Estados Unidos, a diabetes melito afeta até 5% da população, quase 14 milhões de pessoas.

Sintomas:
    * sede excessiva
    * micção excessiva
    * perda de peso a despeito do aumento de apetite
    * fadiga
    * náuseas
    * vômitos
    * infecções freqüentes incluindo bexiga, vagina e pele
    * visão turva
    * impotência
    * odor do hálito
    * desaparecimento da menstruação
    * turgor cutâneo deficiente

Sintomas adicionais que podem estar associados a esta doença:
    * gengiva sangrando
    * zumbido ou ruído no ouvido
    * diarréia
    * depressão
    * confusão

Sinais e exames:
    * urianálise que mostra a presença de glicose e corpos cetônicos na urina
    * teste de tolerância à glicose
    * glicose no sangue em jejum
    * nível de hemoglobina glicosilada (hemoglobina A1C)

Esta doença também pode alterar os resultados dos seguintes exames:
    * campo visual
    * volume de urina em 24 horas
    * ácido úrico
    * oftalmoscopia
    * cetonas na urina
    * cetonas séricas
    * exame de insulina
    * glicose na urina
    * tempo de lise da euglobulina
    * proteína total do LCR
    * coleta de LCR
    * exame de colesterol
    * níveis de ACE

Tratamento:
Os objetivos imediatos do tratamento são estabilizar o metabolismo, restaurar o peso normal do corpo e eliminar os sintomas de glicose alta no sangue. Os objetivos a longo prazo são prolongar a vida, melhorar a qualidade de vida, aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo por meio da educação, controle dietético cuidadoso e controle de peso, medicamento, atividade física, auto exame e cuidados com os pés.

EDUCAÇÃO
A educação sobre a diabetes é uma parte importante do plano de tratamento. Os educadores e médicos estão disponíveis em diversas áreas para ensinar técnicas essenciais necessárias após o diagnóstico inicial da doença. A educação adequada ensina às pessoas com diabetes como incorporar os princípios de controle da doença às suas rotinas diárias e minimizar a dependência do médico.

Os princípios básicos, chamados técnicas de sobrevivência, incluem:
    * reconhecer e tratar os níveis altos e baixos de açúcar no sangue
    * selecionar os tipos de alimentos a ingerir e quando ingeri-los
    * administrar insulina e tomar agentes hipoglicêmicos por via oral
    * medir e registrar a glicose no sangue e cetonas na urina
    * ajustar a insulina, ingestão de alimentos ou ambos para as alterações nos exercícios e hábitos alimentares
    * lidar com os dias de mal estar
    * onde comprar suprimentos para diabéticos e como armazená-los

Depois que o paciente aprender os princípios básicos dos cuidados da diabetes e depois de estabelecer uma rotina (vários meses), um programa educacional será útil para aprender mais sobre o processo da doença, como controlar e viver com a diabetes e complicações da doença a médio e longo prazo. Recomeda-se a revisão anual das informações sobre diabetes. A atualização pessoal contínua do conhecimento sobre a diabetes é aconselhável, pois há um desenvolvimento constante de novas pesquisas e melhores métodos de tratar a doença.

DIETA
O planejamento das refeições inclui a escolha de alimentos saudáveis, a ingestão da quantia correta de alimentos e a alimentação no horário correto. A Associação Americana de Diabetes e a Associação Dietética Americana desenvolveram 6 listas de substituições de alimentos, para que as pessoas com diabetes possam planejar suas refeições. As 6 listas são: amido ou pão, carnes e substitutos, vegetais, frutas, leite ou derivados e gorduras. Todos os alimentos das listas têm aproximadamente a mesma quantidade de carboidratos, gorduras, proteínas e calorias para a quantidade dada. Qualquer alimento da lista pode ser substituído por qualquer outro alimento da mesma lista. As listas de substituições de alimentos também mostram o número de alimentos que se pode ingerir em cada refeição ou lanche. A utilização dos alimentos da lista (juntamente com um planejamento alimentar pessoal desenvolvido por um nutricionista registrado ou assessor nutricional) controlará a distribuição de calorias durante o dia de forma que alimentos e insulina estejam balanceados.

O planejamento alimentar difere dependendo do tipo de diabetes. Para a diabetes insulino-dependente (Tipo I), a constância no horário das refeições e as quantidades e tipos de alimentos ingeridos são muito importantes para permitir que o alimento e a insulina trabalhem juntos para regular o nível de glicose no sangue. Se as refeições e a insulina estiverem desequilibradas, podem ocorrer variações extremas na glicose sangüínea. Na diabetes não-insulino dependente, o controle do peso é o princípio mais importante além de uma dieta bem balanceada.

A assessoria de um nutricionista é uma ferramenta valiosa para o planejamento das refeições e o controle da dieta para pessoas com diabetes.

MEDICAMENTOS
Insulina:
A insulina diminui os níveis de açúcar no sangue permitindo que ele deixe a corrente sangüínea e entre nas células. Todos precisam de insulina. As pessoas com diabetes tipo I não podem fabricar sua própria insulina e devem tomar injeções de insulina todos os dias para sobreviver. As pessoas com diabetes Tipo II fabricam insulina, mas não são capazes de utilizá-la de maneira eficaz. Elas podem sobreviver sem injeções de insulina, mas muitas delas podem tomar injeções para um controle mais efetivo do níveis de glicose sangüínea. A insulina deve ser injetada subcutaneamente, utilizando-se uma agulha e uma seringa ou, em alguns casos uma bomba de insulina. Não existe insulina na forma oral.

Há diversos tipos de preparações de insulina, que diferem pela rapidez com que começam a agir e por quanto tempo dura sua ação. A escolha do tipo de insulina a ser utilizado deve ser feita pelo médico, com base nas medidas de glicose sangüínea do paciente. Algumas vezes os tipos de insulina são misturados para oferecer melhor controle da glicose. As injeções de insulina geralmente são necessária entre 1 e 4 vezes ao dias. As pessoas que necessitam de insulina são ensinadas por seus médicos ou orientadores a se auto-injetarem.

Medicamentos:
Os medicamentos (agentes hipoglicêmicos orais) para controlar o açúcar no sangue são pílulas geralmente tomadas uma ou duas vezes ao dia. Estes medicamentos agem evitando que o organismo envie açúcar para a corrente sangüínea e ajudando a insulina do próprio organismo a levar a glicose da corrente sangüínea para dentro das células. Algumas pessoas precisam de insulina, além dos medicamentos orais. Algumas pessoas não necessitam mais de medicamentos se perdem peso, pois sua própria insulina funciona melhor sem o excesso de peso, gordura e açúcar.

Os medicamentos orais não são insulina e não ajudam pessoas que necessitam de insulina.

ATIVIDADE FÍSICA
Exercícios regulares são especialmente importantes para as pessoas com diabetes. Eles ajudam a controlar a quantidade de açúcar no sangue e ajudam a queimar o excesso de calorias e gordura para atingir um bom peso corporal. Os exercícios melhoram a saúde geral, melhorando o fluxo e a pressão sangüíneos. Os exercícios também aumentam o nível de energia, diminuem a tensão e melhoram a habilidade de lidar com o estresse.

Antes de iniciar qualquer exercício, as pessoas com diabetes devem obter autorização médica.

Considerações sobre os exercícios:
    * escolha uma atividade física apropriada para o nível de condicionamento físico atual
    * exercite-se todos os dias e no mesmo horário, se possível
    * monitore os níveis de glicose sangüínea, por meio de exames caseiros, antes e após o exercício
    * leve consigo alimentos que contenham açúcar para o caso de o nível de glicose abaixar demais durante ou após o exercício
    * beba líquidos que não contenham açúcar durante e após o exercício
    * alterações na intensidade ou duração dos exercícios podem exigir modificações na dieta ou medicamentos para manter os níveis de glicose sangüínea dentro dos parâmetros apropriados

AUTO-EXAMES:
O exame de açúcar no sangue ou o automonitoramento da glicose sangüínea é feito por meio da verificação do conteúdo de glicose em uma pequena gota de sangue. O exame é feito regularmente e informa à pessoa com diabetes como a dieta, medicamento e exercícios estão funcionando no controle da doença. Os resultados podem ser utilizados para ajustar as refeições, atividades ou medicamentos para manter os níveis de açúcar no sangue dentro dos parâmetros adequados. Os resultado também fornecerão informações valiosas ao médico, para que possa melhorar o tratamento. O exame identificará os níveis altos e baixos de açúcar no sangue antes que problemas sérios se desenvolvam.

Há dois métodos para medir a glicose sangüínea em casa. Um deles é a comparação visual com pequenas tiras plásticas. Uma pequena gota de sangue é colocada na tira e a alteração de cor é comparada com o código de cores na embalagem das tiras. Os resultados são precisos se pequenas alterações nos tons das cores puderem ser determinadas. Os resultados são fornecidos em parâmetros ao invés de um número específico. O segundo método é um exame de medição que fornece uma leitura mais exata da glicose sangüínea. Uma tira para exame é utilizada e colocada em um medidor que lerá o resultado.

Os exames são fáceis de fazer. Um médico ou orientador para diabéticos poderá ajudar a determinar um horário adequado para os exames. Os exames normalmente são feitos antes das refeições e na hora de dormir. Maior freqüência nos exames poder ser indicada em momentos de doença ou estresse. Registros precisos dos resultados tornarão os exames mais úteis para o planejamento do tratamento da pessoa diabética.

O exame das cetonas é um segundo exame freqüentemente utilizado na diabetes Tipo I, mas também é utilizado na diabetes Tipo II em momentos de estresse, doença ou complicações. O exame é feito em uma amostra de urina. As cetonas (produto final do metabolismo da gordura) se acumulam no sangue e são derramadas na urina quando o açúcar não está disponível como combustível para o organismo, de forma que a gordura é queimada como fonte alternativa de combustível. Altos níveis de cetonas podem resultar numa condição grave chamada cetoacidose. O exame das cetonas é geralmente feito nas seguintes circunstâncias:
    * quando o nível de açúcar no sangue está acima de 240 mg/dl
    * doença
    * náuseas ou vômitos
    * cetoacidose
    * estresse extremo
    * gestação

CUIDADO COM OS PÉS:
As pessoas com diabetes estão propensas a problemas nos pés em decorrência de complicações causadas por danos aos vasos sangüíneos grandes e pequenos, nervos e redução da habilidade de combater infecções. O fluxo sangüíneo dos pés pode ser comprometido e os danos aos nervos podem fazer com que as lesões nos pés passem despercebidas até que uma infecção se desenvolva. Pode ocorrer a morte da pele e outros tecidos, o que torna necessária sua remoção.

Para prevenir as lesões nos pés, os diabéticos devem adotar uma rotina diária de verificação e cuidados com os pés:
    * verifique os pés todos os dias e relate ferimentos ou alterações e sinais de infecção.
    * lave os pés todos os dias com água morna e sabonete suave e seque-os completamente.
    * hidrate a pele seca com loção ou vaselina.
    * proteja os pés com sapatos confortáveis e de tamanho adequado
    * exercite todos os dias para promover boa circulação.
    * consulte um pedicuro se tiver problemas ou para remover calos.
    * remova os sapatos e meias durante a consulta com o médico para lembrá-lo de examinar os pés.
    * pare de fumar pois o fumo piora o fluxo sangüíneo para os pés.

Grupos de apoio:
O estresse causado pela doença pode freqüentemente ser aliviado ao se juntar a um grupo de apoio onde os integrantes dividem experiências e problemas comuns.

Prognóstico:
O prognóstico da diabetes melito é variável. O bom controle dos níveis de glicose sangüínea reduz as complicações do diabetes. Normalmente o diabetes melito Tipo I é mais grave e o potencial para desenvolvimento de complicações é maior. Mesmo com um bom controle por meio de dieta e medicamentos nos dois tipos de diabetes, as complicações podem surgir.
No diabetes gestacional, a glicose sangüínea pode voltar ao normal após o parto; no entanto, há maior risco de desenvolvimento de diabetes no futuro.


Complicações de emergência:
    * cetoacidose diabética
    * coma hipoglicêmico
    * coma hiperosmolar hiperglicêmico

Outras complicações:
    * complicações da terapia de insulina
   * complicações oculares (retinopatia diabética, catarata diabética, glaucoma)
    * nefropatia diabética (não tratada causa Insuficiência Renal Crônica)
    * neuropatia diabética
    * gangrena dos pés
    * complicações cutâneas e da membrana mucosa
    * hiperlipidemia, hipertensão, aterosclerose e doenças da artéria coronária

Solicitação de assistência médica:
Dirija-se a um pronto-socorro ou ligue para o número de emergência (como 190) se apresentar sintomas de cetoacidose:
    * aumento da sede e micção
    * náuseas
    * respiração rápida e profunda
    * dor abdominal
    * hálito doce
    * perda de consciência

Obs.: Isto pode ocorrer em diabéticos insulino-dependentes na ausência de uma dose de insulina ou se houver infecção.

Dirija-se a um pronto-socorro ou ligue para o número de emergência (como 190) se apresentar sintomas de coma hipoglicêmico ou reações à insulina:
    * fraqueza
    * sonolência
    * dor de cabeça
    * confusão
    * tonturas
    * visão dupla
    * falta de coordenação
    * convulsões ou perda de consciência podem seguir-se

Prevenção:
O controle do peso corporal em indivíduos com fatores de risco pode evitar o início da diabetes Tipo II.
É possível que não existam sintomas no princípio da doença.

Fonte da informação: http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/

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