segunda-feira, 7 de junho de 2010

Agulhas...

Faz quase um mês que estou fazendo hemodiálise pela fistula.
O medo da dor da picada por aquelas agulhas assustadoras, a cada sessão diminui e realmente a cabeça da gente influencia muito em nossa vida, o medo do desconhecido duplica, triplica, até quadruplica as dores, as angustias, e quando a gente realmente enfrenta tudo, vem sempre a mesma reflexão "não foi tão ruim assim".
Viver a IRC não é nenhum bicho de sete cabeças, isso se deixar de permitir que nossa cabeça crie as outras seis. Viver a IRC tem suas preocupações, seus momentos de altos e baixos, um cuidado mais especial com o corpo, e um medo do futuro sim, mas que deve ser enfrentado de frente.
Com certeza existem casos e casos, há quem aceita o tratamento, a condição de ter uma insuficiência renal crônica, e também tem muitos que não aceitam, ou por sofrer com o tratamento, ou simplesmente por deixarem a mente criar medo e revolta, é compreensível todo tipo de atitude em uma pessoa com IRC, pois realmente é um "baque", e saber chegar ao equilíbrio físico/mental não é fácil, mas com força de vontade, com ajuda da família, dos amigos e dos profissionais de saúde que nos acompanha (e não são poucos), tudo se acerta, é só cada um fazer um pouquinho.
A agulha, assim como foi descobrir a IRC, como foi colocar o cateter, como foi fazer a fistula, são fases, aonde o medo chega, mas com os dias, ele vai passando, e o que resta é apenas o agradecimento por existir tudo isso, pois se não houvesse cada etapa dessas, muito provavelmente não estaria escrevendo aqui. Então, agradeço, e agradeço todos os dias pela hemodiálise, e se for para acontecer, um dia eu recebo uma ligação para ir transplantar, mas honestamente, não estou com pressa, quero passar de fase em fase sem pular. Tudo tem seu tempo certo.

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