segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A primeira Hemodialise...

Era 22:00 quando fui chamada para ir até a UTI fazer minha primeira Hemodiálise.
Eu não sabia o que esperar, não sabia se iria passar mal, não sabia se iria tomar anestesia e dormir, não sabia se iam aplicar mais remédios, se eu iria enjoar ou sentir dor. Coloquei na mão de Deus e desci com um sorriso na cara, mas um medo enorme por dentro.
Cheguei à UTI e vi uma maquina que pareciam essas maquinas caças níqueis, de cor azul, com umas mangueiras transparentes (que mais tarde eu iria apelidar de Wall-E), e a Cida, sentada ao lado da maquina, lendo meu prontuário.
Logo que cheguei, ela pediu para eu me deitar, mas não quis, preferi ficar sentada.
Então a observei ligando essas mangueirinhas transparentes no meu cateter, e programando a maquina de hemodiálise (Wall-E).  Ela colocou as bolsas de sangue que eu iria transfundir em cima da maquina, e antes de por para iniciar a hemodiálise, ela quis explicar o que iria acontecer, e só a partir daí que comecei a entender melhor o que estava acontecendo.
A Cida foi a primeira pessoa a ter paciência e profissionalismo de me explicar o que era de verdade a IRC e o que viria pela frente.
Ela explicou que geralmente quem é IRC não gosta muito de conversar.
Explicou que devido a Uréia alterada, pessoa com IRC tem tendência a ter mau hálito e se suar muito, cheirar mal, algo como se a pessoa estivesse urinado (pois a uréia é expelida pelo suor também).
Explicou que quando a Creatinina esta tão alterada como a minha, é comum ter alucinação (e eu tive!).
Explicou os tipos de diálises, a Peritonial e a Hemodiálise.
Explicou sobre a fistula, e a falou que provavelmente seria minha opção favorita, eu torci o nariz, hahahaha, mas ela estava correta.
Explicou tambem um pouco sobre o transplante.
Falou da rotina de uma clinica de hemodiálise, e que as pessoas que convivem em uma clinica de hemodiálise se tornam uma família, e ela tem toda razão.
Falou muita coisa, mas foram tantas informações que eu não consegui absorver todas logo de inicio.

Não se se foi as 3 horas direta de conversa, ou se foi meu otimismo, mas fiz a hemodiálise sem sentir mal estar algum. Como havia terminado a hemodiálise, mas ainda faltava uma bolsa de sangue para transfundi, eu fui para meu quarto e continuei recebendo a ultima bolsa através do acesso que me colocaram no primeiro hospital.

Dormi bem, pois o medico prescreveu Diazepan, nem vi o enfermeiro tirar a bolsa de sangue.

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