domingo, 29 de novembro de 2009

E a confusão continua...

Acordei cedo, ou melhor, me acordaram cedo para colher os primeiros exames pós internação.

A enfermeira "tentando" me acalmar, falou que conhecia vários transplantados, que estavam bem... Lembro que pensei "EPA... trans o quê?!?!", e foi a primeira vez que ouvi a palavra transplante.
A mesma enfermeira comentou que o hospital que eu estava não era muito bom, que os profissionais lá eram medianos (inclusive ela né, por ter uma postura dessas diante de um paciente assustado, rsrs).

Após a coleta do exame, tomei meu café da manhã, e a partir daí começou a confusão com a quantidade de liquido que eu poderia tomar. A primeira medica apareceu e informou que eu só poderia ingerir 600ml por dia de liquido, tentou explicar que ela achava que eu tinha insuficiência renal crônica, e explicou a diferença entre renal crônica e renal aguda, e que as chances de ser aguda era mínimas no meu caso. Solicitou mais exames e tambem solicitou a colocação do cateter.

Passei a manhã chorando e confusa, pois as informações que recebia eram "picadas" e confusas, cada profissional que entrava no quarto falava uma coisa diferente.

Na parte da tarde meu irmão, minha cunhada e meu pai apareceram, e ficaram comigo enquanto eu aguardava ser chamada para colocar o cateter.

Meu estado de confusão mental era tão grande que não consegui ficar nervosa com o fato de colocarem um cateter em mim, na verdade eu não fazia idéia de como era um cateter e de como era todo o processo de colocar um cateter.

Meu pai é do tipo que participa da dor da gente, se eu sinto uma dor de cabeça e comento com ele, daqui alguns minutos, ele vai comentar que tambem esta com dor de cabeça, então logo que avisou que eu iria descer para colocarem o cateter, ele resolveu ir embora para casa. Assim que ele foi embora, eu fui chamada.

Desci com uma enfermeira chamada Márcia (não esqueço do nome dela, pois ela foi muito GENTE BOA comigo), e só quando eu entrei na sala de procedimentos, que dei conta de que iriam enfiar alguma coisa no meu corpo.

A enfermeira Márcia percebeu minha tensão e pegou na minha mão. Enquanto estava fazendo ma limpeza na região do meu pescoço, entrou um outro paciente, resmungando que o cateter dele estava caído, que foi mal colocado, que sentia dores. Nessa hora lembrei dos profissionais medianos que a primeira enfermeira havia comentado pela manhã, e torci para que o medico que iria me atender não fosse mediano.

O mesmo medico que iria colocar meu cateter, resolveu atender primeiro o senhor que estava com o cateter pendurado no corpo, acredito que ele tenha dado um ou dois pontos no cateter do senhor e logo o liberou, pois foi muito rápido o procedimento. Então ele veio em minha direção, tampou meu rosto com um lençol azul, e falou a primeira "picadinha" de muitas que eu já ouvi. Tomei uma injeção no pescoço, mas não senti nem a picada, então, tive a sensação de algo entrando pelo pescoço, nisso acabei sentindo a tensão do medico ao tentar passar o cateter pelo pescoço. Tentou uma vez, não conseguiu, tentou outra vez e não conseguiu de novo, a enfermeira Márcia segurou firme minha mão, parecia que ela estava mais tensa que eu na hora, pois ela apertava mais minha mão do que eu a dela, rsrs.

Depois de tentar passar pelo pescoço sem sucesso, ele resolveu tentar mais abaixo no peito, dessa vez ele conseguiu, e quando terminou de dar os pontos e fazer a limpeza, pude olhar para ele e agradecer, mas logo depois que agradeci, senti no olhar dele que tinha alguma coisa de errado.

Como estava sob efeito da anestesia, não havia sentido que estava com um "limão" no pescoço, por causa das tentativas em vão de colocar o cateter lá, mais tarde eu iria perceber que o médico era um tosco, que não tinha muita perícia na coisa e que por sorte na terceira tentativa conseguiu passar o cateter.

Depois desse episodio, fui para a sala de RX, para tirar um RX do tórax para o medico analisar se esta tudo OK com o cateter. A primeira tentativa não deu certo, tive que tirar um segundo RX. Após isso, voltei para o quarto. Posso dizer que apesar do médico não ter feito as coisas muito bem, eu não senti dor nenhuma na hora de colocar o cateter.

Passou algumas horas após eu ter colocado o cateter, estava sonolenta pois o medico logo após o serviço porco que fez, me receitou dipirona (ele sabia que aquele limão que ele deixou no meu pescoço iria doer, rsrs). Estava com minha mãe, meu irmão e minha cunhada no quarto, quando depois de uma pequena confusãozinha aparece o Kah, foi engraçada a aparição dele no hospital, foi algo que não havia planejado nem em pesadelo, mas ele estava lá, querendo dar seu apoio em uma hora que eu precisava muito. Ele ficou comigo um tempinho, foi estranho/legal/surreal/etc., ver ele ali no hospital comigo. Logo após o Kah ir embora, eu fui levada para a UTI do hospital para fazer a minha primeira sessão de diálise, junto com uma transfusão de três bolsas de sangue e uma bolsa de plasma.

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