sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Primeiro dia na clinica...

Hoje foi a primeira vez que entrei na clinica para fazer hemodiálise. E justamente era o dia da festa de Natal deles.
Cheguei no começo da tarde na clinica, a sala de espera estava cheia, e eu como havia acabado de ter alta, ainda estava meio desnorteada com a vida fora do hospital, foram quase 20 dias de internação, sem conseguir ver a cara da rua, confesso que fiquei alienada, mas voltando, como estava cheio na sala de espera, começou a bater uma angustia, tinha muito idoso, que não parecia estar bem, não agüentei e caí no choro.
Nisso muitos acompanhantes vieram conversar comigo, explicar que uma hora iria melhor, que os primeiros dias são estranhos, etc, mas honestamente, eu estava brava, estava inconformada com a situação, não entendia por que alguns conseguiam rir ali dentro.
Agravei propositalmente o choro, pois sabia que assim, iriam me colocar para fazer a diálise o mais rápido possível, e então finalmente poderia ir embora e ver minha casa, minha cadela, minha família, enfim, meu porto seguro. Minha tática deu certo, não fiquei 10 minutos chorando na sala de espera e me chamaram, foi quando eu sentei pela primeira vez na cadeira (no hospital fazia na cama mesmo), ao lado de muitas outras pessoas na mesma situação.
Pensei que saindo da sala de espera as coisas iriam melhorar, mas a cabeça ajuda muito a aumentar os sentimentos ruins, e minha tática de chorar para fazer logo a hemodiálise, também serviu para me trazer muitos pensamentos desagradáveis, e não deu outra, já com o cateter ligado na maquina, comecei chorar mais ainda, foi angustiante, parecia que estavam jogando veneno na minha corrente sanguínea.
Eu fiquei num misto de tristeza e irritação, os técnicos apareciam para me consolar, e eu ouvia a voz deles bem longe, meus pensamentos estavam maiores que o "bla bla bla" deles. Eu peguei meu celular, e comecei a escrever freneticamente pro Kah que esperava do lado de fora junto com o meu irmão. Escrevi coisas absurdas, como "prefiro morrer que vir nesse lugar novamente", "vida injusta", e por aí vai...
Para deixar a situação mais bizarra ainda, do nada, surge um Papai Noel, eu olhei sem acreditar no que estava vendo, "que porcaria é essa?" pensei, e o Papai Noel rindo, distribuindo panetones, e eu querendo gritar, pois ali não era lugar para rir. Eu não conseguia parar de chorar. O Papai Noel se aproximou, sorriu pra mim, e eu devo ter feito uma cara tão brava pra ele, que praticamente saiu correndo da minha frente.
A enfermeira chefe, permitiu que meu irmão entrasse pra ficar do meu lado um pouco, ele com o maior carinho, tentando me acalmar, tentando me confortar, e eu cega de tudo, só dizia que não queria voltar mais ali. Depois que meu irmão saiu, foi a vez do Kah ficar do meu lado, e foi mais uma chuva de frases negativas, até que o tempo terminou, e eu estava liberada, eu fiz somente duas horas e meia pois havia feito hemodiálise no hospital no dia anterior.
A volta para casa foi estranha, pois meu irmão e o Kah estavam fazendo brincadeirinhas no carro, e eu não sei como, consegui esquecer tudo da clinica, e fiquei feliz de ver os dois brincando e se entendendo tão bem.
Cheguei em casa, com muita vontade de chorar, mas segurei, estava exausta, queria tomar um banho e dormir, e foi basicamente o que fiz, mas antes fiquei conversando com o Kah, que dormiu em casa pela primeira vez.
Aí eu percebi que iria existir muitas 1ª vezes na minha vida de agora em diante...

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