segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

1 mês...

Hoje esta fazendo um mês que estou nessa "vida".
Hemodiálise passou a ser o assunto do momento, não passo 1 hora de conversa sem mencionar essa palavra, se até eu estou enjoada desse assunto, imagina as pessoas a minha volta?

Uma nova realidade esta se abrindo a minha frente, eu não sei bem o que pensar ainda, só sei que esse final de ano esta atrapalhado, não consegui dar presente de natal p/ ninguém, estou com uma divida absurda no banco, rsrs, além de estar com uma dificuldade de concentração que me impede de trabalhar direito.

A clinica é um lugar legal, as pessoas do meu box estão procurando me orientar, me consolar, mas as vezes é inevitável, eu jogo o edredom na cara e começo a chorar. Minha família tem me amparado muito, é uma força que eu realmente precisava, e eu não queria decepcionar eles com meus choros, então aproveito a clinica para chorar um pouco.

Minha mente atualmente esta confusa.
Meu físico atualmente esta bom (tirando os joelhos e calcanhares).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Primeiro dia na clinica...

Hoje foi a primeira vez que entrei na clinica para fazer hemodiálise. E justamente era o dia da festa de Natal deles.
Cheguei no começo da tarde na clinica, a sala de espera estava cheia, e eu como havia acabado de ter alta, ainda estava meio desnorteada com a vida fora do hospital, foram quase 20 dias de internação, sem conseguir ver a cara da rua, confesso que fiquei alienada, mas voltando, como estava cheio na sala de espera, começou a bater uma angustia, tinha muito idoso, que não parecia estar bem, não agüentei e caí no choro.
Nisso muitos acompanhantes vieram conversar comigo, explicar que uma hora iria melhor, que os primeiros dias são estranhos, etc, mas honestamente, eu estava brava, estava inconformada com a situação, não entendia por que alguns conseguiam rir ali dentro.
Agravei propositalmente o choro, pois sabia que assim, iriam me colocar para fazer a diálise o mais rápido possível, e então finalmente poderia ir embora e ver minha casa, minha cadela, minha família, enfim, meu porto seguro. Minha tática deu certo, não fiquei 10 minutos chorando na sala de espera e me chamaram, foi quando eu sentei pela primeira vez na cadeira (no hospital fazia na cama mesmo), ao lado de muitas outras pessoas na mesma situação.
Pensei que saindo da sala de espera as coisas iriam melhorar, mas a cabeça ajuda muito a aumentar os sentimentos ruins, e minha tática de chorar para fazer logo a hemodiálise, também serviu para me trazer muitos pensamentos desagradáveis, e não deu outra, já com o cateter ligado na maquina, comecei chorar mais ainda, foi angustiante, parecia que estavam jogando veneno na minha corrente sanguínea.
Eu fiquei num misto de tristeza e irritação, os técnicos apareciam para me consolar, e eu ouvia a voz deles bem longe, meus pensamentos estavam maiores que o "bla bla bla" deles. Eu peguei meu celular, e comecei a escrever freneticamente pro Kah que esperava do lado de fora junto com o meu irmão. Escrevi coisas absurdas, como "prefiro morrer que vir nesse lugar novamente", "vida injusta", e por aí vai...
Para deixar a situação mais bizarra ainda, do nada, surge um Papai Noel, eu olhei sem acreditar no que estava vendo, "que porcaria é essa?" pensei, e o Papai Noel rindo, distribuindo panetones, e eu querendo gritar, pois ali não era lugar para rir. Eu não conseguia parar de chorar. O Papai Noel se aproximou, sorriu pra mim, e eu devo ter feito uma cara tão brava pra ele, que praticamente saiu correndo da minha frente.
A enfermeira chefe, permitiu que meu irmão entrasse pra ficar do meu lado um pouco, ele com o maior carinho, tentando me acalmar, tentando me confortar, e eu cega de tudo, só dizia que não queria voltar mais ali. Depois que meu irmão saiu, foi a vez do Kah ficar do meu lado, e foi mais uma chuva de frases negativas, até que o tempo terminou, e eu estava liberada, eu fiz somente duas horas e meia pois havia feito hemodiálise no hospital no dia anterior.
A volta para casa foi estranha, pois meu irmão e o Kah estavam fazendo brincadeirinhas no carro, e eu não sei como, consegui esquecer tudo da clinica, e fiquei feliz de ver os dois brincando e se entendendo tão bem.
Cheguei em casa, com muita vontade de chorar, mas segurei, estava exausta, queria tomar um banho e dormir, e foi basicamente o que fiz, mas antes fiquei conversando com o Kah, que dormiu em casa pela primeira vez.
Aí eu percebi que iria existir muitas 1ª vezes na minha vida de agora em diante...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Resultado dos Exames...

PÓS HEMODIALISE

Hemoglobina: 10,6

Hematocrito: 29,3

Glicose: 164
Ureia: 105
Creatinina: 4,7
Sodio: 135
Potassio: 3,5
Calcio Ionico: 0,97
Magnesio: 2,0
Proteina C Reativa Quantitativa: 50,3
Lactato: 22,1

Hemodialise, depois do baque...

A segunda hemodiálise, foi mais calma em relação a primeira. A maquina foi transportada até meu quarto, e eu fiquei deitada, conversando com o técnico Marcelo, uma pessoa abençoada, que me contou como era a vida em uma clinica de hemodiálise, ele relatou casos (somente de sucesso, pois ele sabia o quanto estava vulnerável naquele momento) de pessoas que haviam transplantado, de pessoas que faziam hemodiálise há vários anos, posso afirmar sem duvida nenhuma, que aprendi e aprendo até hoje sobre a doença renal, mais com os técnicos que me ligam a maquina, do que com os médicos.
Minha mãe não pode ficar na sala comigo, o que achei bom, pois eu imagino como deve ser triste você ver quem você ama em uma situação dessas.
Conversando com o Marcelo, aprendi muitas coisas, principalmente como a maquina funciona, o que ela tira de verdade (é muita coisa!), mas também fiquei sabendo de coisas que até o momento nem imaginava. A que mais marcou é que quando se transplanta, o enxerto (o órgão transplantando) tem um tempo de duração, que vai variar de pessoa para pessoa, mas que a média atual é de 10 a 15 anos.
Ou seja, quem pensa que o transplante é cura, esta enganado, é somente um outro tipo de tratamento, com a vantagem de dar ao paciente renal mais liberdade, e com a desvantagem que a pessoa fica imunodeprimida, correndo o risco de pegar doenças com maior facilidade e com dificuldade de curar as mesmas.

Resumindo: Ter uma doença renal crônica, significa que você vai ter que se cuidar SEMPRE, independente do tratamento que você optar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Resultado dos Exames...

Hemoglobina: 10,9
Hematocrito: 30,1

Glicose: 93
Ureia: 130
Creatinina: 6,7
Sodio: 137
Potassio: 3,6
Fosforo: 6,1
Calcio Ionico: 1,16
Proteinas totais: 5,6
Albumina: 3,2
Globulinas: 2,4
Dosagem de Cloro: 110
TGP: 26
TGO: 18
VHS: 54
Fosfatase Alcalina: 209
Ferro Serico: 52
Ferritina: 102,0
Complemento C3: 144,0
Complemento C4: 51,0
Paratormonio: 55,30

Gasometria Venosa
pH: 7,350
pCO2: 34,0
pO2: 123,0
HCO3: 18,0
CO2 total: 19,0
B E: -6
Saturação de O2: 98,0%

Hepatite B (todos os tipos): Não reagente
Hepatite C: Não reagente
HIV: Não reagente
FAN: Não reagente

Hospital Dom Alvarenga...

Já havia amanhecido, e eu ainda estava chorando, o que me faz lembrar que a cabeça da gente é uma arma muito poderosa para aumentar ou diminuir dores/aflições.
Um novo medico bateu na porta e ao me ver naquele estado, pediu autorização para que eu ficasse com um acompanhante, já que estava em um quarto isolado.
Era 9h da manha, quando ligaram para minha família, pedindo que alguém viesse para ficar comigo, e foi só assim que consegui parar de chorar.
Era 10 e pouco, quando minha mãe chegou. Eu não conseguia contar pra ela o que tinha ouvido, mas a presença dela no quarto foi importante.
O dia correu sem nenhuma grande novidade, já que os nefrologistas não ficam de plantão todos os dias nesse hospital.
Pelo menos uma coisa era boa, a comida! Eu sempre ouvia que comida de hospital era uma porcaria, mas a que eu estava comendo estava deliciosa, alias, havia muito tempo que não estava com um apetite tão bom (só depois descobri que devido ao prednisona que estava tomando, meu apetite aumentou).
A noite lá era mais movimentada, a entrada e saída de enfermeiros era constante, a coleta de exame também era maior, e alem disso, havia a visita da maquina de RX.