segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais confusão...

Logo pela manhã, a médica responsável passou no meu quarto, e explicou porcamente como funciona o transplante, e falou que provavelmente eu iria ser transferida novamente, mas que não era para eu aceitar isso, pois eu ficaria de hospital em hospital, igual peteca.
Após essa passagem rápida da médica, lembro que fiquei sentada em minha cama, olhando minha mãe, pensando em como é triste ver uma pessoa que te ama tanto, tentando camuflar suas preocupações.
Fui tomar um banho, e percebi que com aquele cateter no peito, meus banhos não seriam mais os mesmos.
O telefone do quarto não parava de tocar, era família, amigos, vizinhos, pessoas que só conhecia por nome, ligando, querendo saber novidades, dando um apoio, se colocando a disposição. Essas ligações me fizeram enxergar algo que não enxergava antes, que eu era querida por muitas pessoas e que não estava sozinha.
A tarde chegou e o Kah apareceu lá novamente.
Estava desconfortável, não vou negar, pois estava com o avental do hospital, com o cabelo bagunçado, enfim, não estava "apresentável". Logo em seguida, chegou minha madrinha, trazendo comida, e coisinhas para facilitar a permanência no hospital.
Quando ela foi embora, uma maca apareceu na porta do meu quarto, e o que a médica havia previsto aconteceu, eu seria novamente transferida para outro hospital.
Segundo a orientação medica, relutei para ser transferida, até que liguei para médica e ela falou que tinha recomendado minha transferência para um hospital que tivesse nefrologista (?!?!?!), fiquei muito aborrecida, pois ela pediu uma coisa e fez outra. Enfim... Começa mais uma confusão.
Meu irmão, que no meio do "vai no vai" correu para o hospital, havia chegado, e foi o tempo de eu deitar na maca, ele e o Kah pegarem minhas coisas, e lá vou eu andar novamente de ambulância, minha mãe me acompanhou, meu irmão e o Kah foram de carro.
Cheguei em um hospital que parecia ser um convento/escola, meu irmão chegou em seguida com o Kah, e eu fui para um quarto esperar (novamente) a autorização do convenio para a internação.
Enquanto meu irmão e minha mãe corriam atrás das papeladas, o Kah ficou comigo em um quarto, segurando minha mão.
Depois de alguns (muitos) minutos, foi autorizado, o médico me informou que ficaria na UTI, e que ficaria sozinha.
Depois de chorar, ficar com cara de cachorrinho sem dono (rsrs), o medico responsável pela minha internação me avisou que eu ficaria em um quarto separado na UTI, mas ainda sim ficaria sem acompanhante.
Me despedi dos meus pais, e me "acomodei" no quarto.
Mais uma medica apareceu, me fez um questionário, mas não me explicou nada, falou apenas para eu aguardar, pois iria fazer um ultra-som.
Dois enfermeiros entraram no quarto, muito gentis, e começaram a ligar os eletrodos em meu peito, plugar o aparelho de pressão (que eu só iria tirar para ir ao banheiro), fizeram o destro e me ofereceram uma coberta.
Em seguida chegou a bendita cadeira de rodas, para me levar fazer o ultra-som, ainda era bem traumatizante andar nela.
Já no ultra-som, o medico pediu para eu me deitar, e começou o procedimento. Lembro exatamente a conversa na sala:

Medico do Ultra-som: Xiii... Você tem um probleminha nos rins.
Eu: Probleminha, probleminha, ou probleminha problemão?
Medico do Ultra-som: Probleminha, problema.
Então ele chamou a medica Andréia, e eles ficaram conversando:
Medico do Ultra-som: Veja aqui...
E a medica Andréia colocou a mão na boca, como se isso fizesse esconder a expressão de pena da cara dela.
E enfim, o diagnostico foi feito: Doença renal parenquimatosa crônica.

A medica Andréia saiu da sala, prometendo ir ao meu quarto ainda naquela noite, o que não aconteceu, contudo, um outro medico apareceu e explicou que meus rins estavam "necrosados", nessa hora nem preciso dizer que minha cabeça girou né? Só pensei "estou com câncer!".

Depois disso foi uma choradeira interminável, ninguém me explicava mais o que acontecia, os enfermeiros passavam me oferecendo Diasepan para dormir, mas eu não aceitava, queria que alguém me explicasse TUDO, queria um medico do meu lado me explicando de A à Z o que viria pela frente, mas nenhum medico apareceu mais. Fiquei com os bips que o monitor cardíaco fazia, e com os passos abafados do lado de fora do quarto. Foi uma noite longa.

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