segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

1 mês...

Hoje esta fazendo um mês que estou nessa "vida".
Hemodiálise passou a ser o assunto do momento, não passo 1 hora de conversa sem mencionar essa palavra, se até eu estou enjoada desse assunto, imagina as pessoas a minha volta?

Uma nova realidade esta se abrindo a minha frente, eu não sei bem o que pensar ainda, só sei que esse final de ano esta atrapalhado, não consegui dar presente de natal p/ ninguém, estou com uma divida absurda no banco, rsrs, além de estar com uma dificuldade de concentração que me impede de trabalhar direito.

A clinica é um lugar legal, as pessoas do meu box estão procurando me orientar, me consolar, mas as vezes é inevitável, eu jogo o edredom na cara e começo a chorar. Minha família tem me amparado muito, é uma força que eu realmente precisava, e eu não queria decepcionar eles com meus choros, então aproveito a clinica para chorar um pouco.

Minha mente atualmente esta confusa.
Meu físico atualmente esta bom (tirando os joelhos e calcanhares).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Primeiro dia na clinica...

Hoje foi a primeira vez que entrei na clinica para fazer hemodiálise. E justamente era o dia da festa de Natal deles.
Cheguei no começo da tarde na clinica, a sala de espera estava cheia, e eu como havia acabado de ter alta, ainda estava meio desnorteada com a vida fora do hospital, foram quase 20 dias de internação, sem conseguir ver a cara da rua, confesso que fiquei alienada, mas voltando, como estava cheio na sala de espera, começou a bater uma angustia, tinha muito idoso, que não parecia estar bem, não agüentei e caí no choro.
Nisso muitos acompanhantes vieram conversar comigo, explicar que uma hora iria melhor, que os primeiros dias são estranhos, etc, mas honestamente, eu estava brava, estava inconformada com a situação, não entendia por que alguns conseguiam rir ali dentro.
Agravei propositalmente o choro, pois sabia que assim, iriam me colocar para fazer a diálise o mais rápido possível, e então finalmente poderia ir embora e ver minha casa, minha cadela, minha família, enfim, meu porto seguro. Minha tática deu certo, não fiquei 10 minutos chorando na sala de espera e me chamaram, foi quando eu sentei pela primeira vez na cadeira (no hospital fazia na cama mesmo), ao lado de muitas outras pessoas na mesma situação.
Pensei que saindo da sala de espera as coisas iriam melhorar, mas a cabeça ajuda muito a aumentar os sentimentos ruins, e minha tática de chorar para fazer logo a hemodiálise, também serviu para me trazer muitos pensamentos desagradáveis, e não deu outra, já com o cateter ligado na maquina, comecei chorar mais ainda, foi angustiante, parecia que estavam jogando veneno na minha corrente sanguínea.
Eu fiquei num misto de tristeza e irritação, os técnicos apareciam para me consolar, e eu ouvia a voz deles bem longe, meus pensamentos estavam maiores que o "bla bla bla" deles. Eu peguei meu celular, e comecei a escrever freneticamente pro Kah que esperava do lado de fora junto com o meu irmão. Escrevi coisas absurdas, como "prefiro morrer que vir nesse lugar novamente", "vida injusta", e por aí vai...
Para deixar a situação mais bizarra ainda, do nada, surge um Papai Noel, eu olhei sem acreditar no que estava vendo, "que porcaria é essa?" pensei, e o Papai Noel rindo, distribuindo panetones, e eu querendo gritar, pois ali não era lugar para rir. Eu não conseguia parar de chorar. O Papai Noel se aproximou, sorriu pra mim, e eu devo ter feito uma cara tão brava pra ele, que praticamente saiu correndo da minha frente.
A enfermeira chefe, permitiu que meu irmão entrasse pra ficar do meu lado um pouco, ele com o maior carinho, tentando me acalmar, tentando me confortar, e eu cega de tudo, só dizia que não queria voltar mais ali. Depois que meu irmão saiu, foi a vez do Kah ficar do meu lado, e foi mais uma chuva de frases negativas, até que o tempo terminou, e eu estava liberada, eu fiz somente duas horas e meia pois havia feito hemodiálise no hospital no dia anterior.
A volta para casa foi estranha, pois meu irmão e o Kah estavam fazendo brincadeirinhas no carro, e eu não sei como, consegui esquecer tudo da clinica, e fiquei feliz de ver os dois brincando e se entendendo tão bem.
Cheguei em casa, com muita vontade de chorar, mas segurei, estava exausta, queria tomar um banho e dormir, e foi basicamente o que fiz, mas antes fiquei conversando com o Kah, que dormiu em casa pela primeira vez.
Aí eu percebi que iria existir muitas 1ª vezes na minha vida de agora em diante...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Resultado dos Exames...

PÓS HEMODIALISE

Hemoglobina: 10,6

Hematocrito: 29,3

Glicose: 164
Ureia: 105
Creatinina: 4,7
Sodio: 135
Potassio: 3,5
Calcio Ionico: 0,97
Magnesio: 2,0
Proteina C Reativa Quantitativa: 50,3
Lactato: 22,1

Hemodialise, depois do baque...

A segunda hemodiálise, foi mais calma em relação a primeira. A maquina foi transportada até meu quarto, e eu fiquei deitada, conversando com o técnico Marcelo, uma pessoa abençoada, que me contou como era a vida em uma clinica de hemodiálise, ele relatou casos (somente de sucesso, pois ele sabia o quanto estava vulnerável naquele momento) de pessoas que haviam transplantado, de pessoas que faziam hemodiálise há vários anos, posso afirmar sem duvida nenhuma, que aprendi e aprendo até hoje sobre a doença renal, mais com os técnicos que me ligam a maquina, do que com os médicos.
Minha mãe não pode ficar na sala comigo, o que achei bom, pois eu imagino como deve ser triste você ver quem você ama em uma situação dessas.
Conversando com o Marcelo, aprendi muitas coisas, principalmente como a maquina funciona, o que ela tira de verdade (é muita coisa!), mas também fiquei sabendo de coisas que até o momento nem imaginava. A que mais marcou é que quando se transplanta, o enxerto (o órgão transplantando) tem um tempo de duração, que vai variar de pessoa para pessoa, mas que a média atual é de 10 a 15 anos.
Ou seja, quem pensa que o transplante é cura, esta enganado, é somente um outro tipo de tratamento, com a vantagem de dar ao paciente renal mais liberdade, e com a desvantagem que a pessoa fica imunodeprimida, correndo o risco de pegar doenças com maior facilidade e com dificuldade de curar as mesmas.

Resumindo: Ter uma doença renal crônica, significa que você vai ter que se cuidar SEMPRE, independente do tratamento que você optar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Resultado dos Exames...

Hemoglobina: 10,9
Hematocrito: 30,1

Glicose: 93
Ureia: 130
Creatinina: 6,7
Sodio: 137
Potassio: 3,6
Fosforo: 6,1
Calcio Ionico: 1,16
Proteinas totais: 5,6
Albumina: 3,2
Globulinas: 2,4
Dosagem de Cloro: 110
TGP: 26
TGO: 18
VHS: 54
Fosfatase Alcalina: 209
Ferro Serico: 52
Ferritina: 102,0
Complemento C3: 144,0
Complemento C4: 51,0
Paratormonio: 55,30

Gasometria Venosa
pH: 7,350
pCO2: 34,0
pO2: 123,0
HCO3: 18,0
CO2 total: 19,0
B E: -6
Saturação de O2: 98,0%

Hepatite B (todos os tipos): Não reagente
Hepatite C: Não reagente
HIV: Não reagente
FAN: Não reagente

Hospital Dom Alvarenga...

Já havia amanhecido, e eu ainda estava chorando, o que me faz lembrar que a cabeça da gente é uma arma muito poderosa para aumentar ou diminuir dores/aflições.
Um novo medico bateu na porta e ao me ver naquele estado, pediu autorização para que eu ficasse com um acompanhante, já que estava em um quarto isolado.
Era 9h da manha, quando ligaram para minha família, pedindo que alguém viesse para ficar comigo, e foi só assim que consegui parar de chorar.
Era 10 e pouco, quando minha mãe chegou. Eu não conseguia contar pra ela o que tinha ouvido, mas a presença dela no quarto foi importante.
O dia correu sem nenhuma grande novidade, já que os nefrologistas não ficam de plantão todos os dias nesse hospital.
Pelo menos uma coisa era boa, a comida! Eu sempre ouvia que comida de hospital era uma porcaria, mas a que eu estava comendo estava deliciosa, alias, havia muito tempo que não estava com um apetite tão bom (só depois descobri que devido ao prednisona que estava tomando, meu apetite aumentou).
A noite lá era mais movimentada, a entrada e saída de enfermeiros era constante, a coleta de exame também era maior, e alem disso, havia a visita da maquina de RX.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais confusão...

Logo pela manhã, a médica responsável passou no meu quarto, e explicou porcamente como funciona o transplante, e falou que provavelmente eu iria ser transferida novamente, mas que não era para eu aceitar isso, pois eu ficaria de hospital em hospital, igual peteca.
Após essa passagem rápida da médica, lembro que fiquei sentada em minha cama, olhando minha mãe, pensando em como é triste ver uma pessoa que te ama tanto, tentando camuflar suas preocupações.
Fui tomar um banho, e percebi que com aquele cateter no peito, meus banhos não seriam mais os mesmos.
O telefone do quarto não parava de tocar, era família, amigos, vizinhos, pessoas que só conhecia por nome, ligando, querendo saber novidades, dando um apoio, se colocando a disposição. Essas ligações me fizeram enxergar algo que não enxergava antes, que eu era querida por muitas pessoas e que não estava sozinha.
A tarde chegou e o Kah apareceu lá novamente.
Estava desconfortável, não vou negar, pois estava com o avental do hospital, com o cabelo bagunçado, enfim, não estava "apresentável". Logo em seguida, chegou minha madrinha, trazendo comida, e coisinhas para facilitar a permanência no hospital.
Quando ela foi embora, uma maca apareceu na porta do meu quarto, e o que a médica havia previsto aconteceu, eu seria novamente transferida para outro hospital.
Segundo a orientação medica, relutei para ser transferida, até que liguei para médica e ela falou que tinha recomendado minha transferência para um hospital que tivesse nefrologista (?!?!?!), fiquei muito aborrecida, pois ela pediu uma coisa e fez outra. Enfim... Começa mais uma confusão.
Meu irmão, que no meio do "vai no vai" correu para o hospital, havia chegado, e foi o tempo de eu deitar na maca, ele e o Kah pegarem minhas coisas, e lá vou eu andar novamente de ambulância, minha mãe me acompanhou, meu irmão e o Kah foram de carro.
Cheguei em um hospital que parecia ser um convento/escola, meu irmão chegou em seguida com o Kah, e eu fui para um quarto esperar (novamente) a autorização do convenio para a internação.
Enquanto meu irmão e minha mãe corriam atrás das papeladas, o Kah ficou comigo em um quarto, segurando minha mão.
Depois de alguns (muitos) minutos, foi autorizado, o médico me informou que ficaria na UTI, e que ficaria sozinha.
Depois de chorar, ficar com cara de cachorrinho sem dono (rsrs), o medico responsável pela minha internação me avisou que eu ficaria em um quarto separado na UTI, mas ainda sim ficaria sem acompanhante.
Me despedi dos meus pais, e me "acomodei" no quarto.
Mais uma medica apareceu, me fez um questionário, mas não me explicou nada, falou apenas para eu aguardar, pois iria fazer um ultra-som.
Dois enfermeiros entraram no quarto, muito gentis, e começaram a ligar os eletrodos em meu peito, plugar o aparelho de pressão (que eu só iria tirar para ir ao banheiro), fizeram o destro e me ofereceram uma coberta.
Em seguida chegou a bendita cadeira de rodas, para me levar fazer o ultra-som, ainda era bem traumatizante andar nela.
Já no ultra-som, o medico pediu para eu me deitar, e começou o procedimento. Lembro exatamente a conversa na sala:

Medico do Ultra-som: Xiii... Você tem um probleminha nos rins.
Eu: Probleminha, probleminha, ou probleminha problemão?
Medico do Ultra-som: Probleminha, problema.
Então ele chamou a medica Andréia, e eles ficaram conversando:
Medico do Ultra-som: Veja aqui...
E a medica Andréia colocou a mão na boca, como se isso fizesse esconder a expressão de pena da cara dela.
E enfim, o diagnostico foi feito: Doença renal parenquimatosa crônica.

A medica Andréia saiu da sala, prometendo ir ao meu quarto ainda naquela noite, o que não aconteceu, contudo, um outro medico apareceu e explicou que meus rins estavam "necrosados", nessa hora nem preciso dizer que minha cabeça girou né? Só pensei "estou com câncer!".

Depois disso foi uma choradeira interminável, ninguém me explicava mais o que acontecia, os enfermeiros passavam me oferecendo Diasepan para dormir, mas eu não aceitava, queria que alguém me explicasse TUDO, queria um medico do meu lado me explicando de A à Z o que viria pela frente, mas nenhum medico apareceu mais. Fiquei com os bips que o monitor cardíaco fazia, e com os passos abafados do lado de fora do quarto. Foi uma noite longa.

Resultado Pré e Pós a Hemodialise...

Pré Hemodialise

Hemoglobina: 6,1
Hematocrito: 18
Glicemia: 80
Ureia: 204
Creatinina: 11,9
Sodio: 144
Potassio: 4,0
Fosforo: 6,1
Calcio: 8,1
Dosagem de Cloro: 110




Pós Hemodialise

Hemoglobina: 10,1
Hematocrito: 31
Glicemia: 109
Ureia: 126
Creatinina: 7,3
Sodio: 148

A primeira Hemodialise...

Era 22:00 quando fui chamada para ir até a UTI fazer minha primeira Hemodiálise.
Eu não sabia o que esperar, não sabia se iria passar mal, não sabia se iria tomar anestesia e dormir, não sabia se iam aplicar mais remédios, se eu iria enjoar ou sentir dor. Coloquei na mão de Deus e desci com um sorriso na cara, mas um medo enorme por dentro.
Cheguei à UTI e vi uma maquina que pareciam essas maquinas caças níqueis, de cor azul, com umas mangueiras transparentes (que mais tarde eu iria apelidar de Wall-E), e a Cida, sentada ao lado da maquina, lendo meu prontuário.
Logo que cheguei, ela pediu para eu me deitar, mas não quis, preferi ficar sentada.
Então a observei ligando essas mangueirinhas transparentes no meu cateter, e programando a maquina de hemodiálise (Wall-E).  Ela colocou as bolsas de sangue que eu iria transfundir em cima da maquina, e antes de por para iniciar a hemodiálise, ela quis explicar o que iria acontecer, e só a partir daí que comecei a entender melhor o que estava acontecendo.
A Cida foi a primeira pessoa a ter paciência e profissionalismo de me explicar o que era de verdade a IRC e o que viria pela frente.
Ela explicou que geralmente quem é IRC não gosta muito de conversar.
Explicou que devido a Uréia alterada, pessoa com IRC tem tendência a ter mau hálito e se suar muito, cheirar mal, algo como se a pessoa estivesse urinado (pois a uréia é expelida pelo suor também).
Explicou que quando a Creatinina esta tão alterada como a minha, é comum ter alucinação (e eu tive!).
Explicou os tipos de diálises, a Peritonial e a Hemodiálise.
Explicou sobre a fistula, e a falou que provavelmente seria minha opção favorita, eu torci o nariz, hahahaha, mas ela estava correta.
Explicou tambem um pouco sobre o transplante.
Falou da rotina de uma clinica de hemodiálise, e que as pessoas que convivem em uma clinica de hemodiálise se tornam uma família, e ela tem toda razão.
Falou muita coisa, mas foram tantas informações que eu não consegui absorver todas logo de inicio.

Não se se foi as 3 horas direta de conversa, ou se foi meu otimismo, mas fiz a hemodiálise sem sentir mal estar algum. Como havia terminado a hemodiálise, mas ainda faltava uma bolsa de sangue para transfundi, eu fui para meu quarto e continuei recebendo a ultima bolsa através do acesso que me colocaram no primeiro hospital.

Dormi bem, pois o medico prescreveu Diazepan, nem vi o enfermeiro tirar a bolsa de sangue.

domingo, 29 de novembro de 2009

E a confusão continua...

Acordei cedo, ou melhor, me acordaram cedo para colher os primeiros exames pós internação.

A enfermeira "tentando" me acalmar, falou que conhecia vários transplantados, que estavam bem... Lembro que pensei "EPA... trans o quê?!?!", e foi a primeira vez que ouvi a palavra transplante.
A mesma enfermeira comentou que o hospital que eu estava não era muito bom, que os profissionais lá eram medianos (inclusive ela né, por ter uma postura dessas diante de um paciente assustado, rsrs).

Após a coleta do exame, tomei meu café da manhã, e a partir daí começou a confusão com a quantidade de liquido que eu poderia tomar. A primeira medica apareceu e informou que eu só poderia ingerir 600ml por dia de liquido, tentou explicar que ela achava que eu tinha insuficiência renal crônica, e explicou a diferença entre renal crônica e renal aguda, e que as chances de ser aguda era mínimas no meu caso. Solicitou mais exames e tambem solicitou a colocação do cateter.

Passei a manhã chorando e confusa, pois as informações que recebia eram "picadas" e confusas, cada profissional que entrava no quarto falava uma coisa diferente.

Na parte da tarde meu irmão, minha cunhada e meu pai apareceram, e ficaram comigo enquanto eu aguardava ser chamada para colocar o cateter.

Meu estado de confusão mental era tão grande que não consegui ficar nervosa com o fato de colocarem um cateter em mim, na verdade eu não fazia idéia de como era um cateter e de como era todo o processo de colocar um cateter.

Meu pai é do tipo que participa da dor da gente, se eu sinto uma dor de cabeça e comento com ele, daqui alguns minutos, ele vai comentar que tambem esta com dor de cabeça, então logo que avisou que eu iria descer para colocarem o cateter, ele resolveu ir embora para casa. Assim que ele foi embora, eu fui chamada.

Desci com uma enfermeira chamada Márcia (não esqueço do nome dela, pois ela foi muito GENTE BOA comigo), e só quando eu entrei na sala de procedimentos, que dei conta de que iriam enfiar alguma coisa no meu corpo.

A enfermeira Márcia percebeu minha tensão e pegou na minha mão. Enquanto estava fazendo ma limpeza na região do meu pescoço, entrou um outro paciente, resmungando que o cateter dele estava caído, que foi mal colocado, que sentia dores. Nessa hora lembrei dos profissionais medianos que a primeira enfermeira havia comentado pela manhã, e torci para que o medico que iria me atender não fosse mediano.

O mesmo medico que iria colocar meu cateter, resolveu atender primeiro o senhor que estava com o cateter pendurado no corpo, acredito que ele tenha dado um ou dois pontos no cateter do senhor e logo o liberou, pois foi muito rápido o procedimento. Então ele veio em minha direção, tampou meu rosto com um lençol azul, e falou a primeira "picadinha" de muitas que eu já ouvi. Tomei uma injeção no pescoço, mas não senti nem a picada, então, tive a sensação de algo entrando pelo pescoço, nisso acabei sentindo a tensão do medico ao tentar passar o cateter pelo pescoço. Tentou uma vez, não conseguiu, tentou outra vez e não conseguiu de novo, a enfermeira Márcia segurou firme minha mão, parecia que ela estava mais tensa que eu na hora, pois ela apertava mais minha mão do que eu a dela, rsrs.

Depois de tentar passar pelo pescoço sem sucesso, ele resolveu tentar mais abaixo no peito, dessa vez ele conseguiu, e quando terminou de dar os pontos e fazer a limpeza, pude olhar para ele e agradecer, mas logo depois que agradeci, senti no olhar dele que tinha alguma coisa de errado.

Como estava sob efeito da anestesia, não havia sentido que estava com um "limão" no pescoço, por causa das tentativas em vão de colocar o cateter lá, mais tarde eu iria perceber que o médico era um tosco, que não tinha muita perícia na coisa e que por sorte na terceira tentativa conseguiu passar o cateter.

Depois desse episodio, fui para a sala de RX, para tirar um RX do tórax para o medico analisar se esta tudo OK com o cateter. A primeira tentativa não deu certo, tive que tirar um segundo RX. Após isso, voltei para o quarto. Posso dizer que apesar do médico não ter feito as coisas muito bem, eu não senti dor nenhuma na hora de colocar o cateter.

Passou algumas horas após eu ter colocado o cateter, estava sonolenta pois o medico logo após o serviço porco que fez, me receitou dipirona (ele sabia que aquele limão que ele deixou no meu pescoço iria doer, rsrs). Estava com minha mãe, meu irmão e minha cunhada no quarto, quando depois de uma pequena confusãozinha aparece o Kah, foi engraçada a aparição dele no hospital, foi algo que não havia planejado nem em pesadelo, mas ele estava lá, querendo dar seu apoio em uma hora que eu precisava muito. Ele ficou comigo um tempinho, foi estranho/legal/surreal/etc., ver ele ali no hospital comigo. Logo após o Kah ir embora, eu fui levada para a UTI do hospital para fazer a minha primeira sessão de diálise, junto com uma transfusão de três bolsas de sangue e uma bolsa de plasma.

sábado, 28 de novembro de 2009

E agora, José?

Fui buscar o exame de sangue, e fazer a ressonância, e enquanto estava fazendo a ressonância, nem percebia que do lado de fora, meu irmão, minha mãe e minha cunhada se programavam para me arrastar até o hospital.

Fazer ressonância foi a primeira experiência estranha de muitas que viriam. O barulho que aquela maquina faz é horrível, quando saí do exame, estava completamente desnorteada, não sabia como saia do lugar, entrava em corredores, passava por portas e não achava a saída, depois de muito procurar, achei a saída, e foi quando a minha aventura no mundo da IRC iria de fato, começar.

Ao sair do exame, não achei ninguém, quando achei, já recebi a noticia que meus exames estavam com praticamente os mesmos resultados que o primeiro. Meu irmão havia proposto que fossemos direto para o hospital, e eu na maior insegurança, pedi para ir para casa almoçar e depois iríamos.

Eis o resultado do exame:
Hemoglobina: 6,8
Hematocrio: 21,6
Uréia: 191
Creatinina: 11,88
Sódio: 142
Potássio: 4,1

Em casa, tentei evitar a todo custo ir para o hospital, mas não teve jeito, acabei sentando no banco de trás do carro, e fomos direto para o hospital Santa Marina (Vila Sta. Catarina/SP), lembro do meu irmão dirigindo e conversando com minha cunhada, que estava sentada ao lado dele, e minha mãe do meu lado, me olhando atenta e silenciosamente, tentando me transmitir algum tipo de força, mas que não me atingia, pois meu medo de médico/hospital/agulhas estava falando alto dentro de mim.

Chegamos no hospital, e novamente me ofereceram a cadeira de rodas, que prontamente neguei, pois andar naquilo foi muito triste, não queria andar de novo.

Abri minha ficha no pronto socorro, e aguardei a triagem, para depois passar no medico.

Na triagem, tiraram minha pressão e perguntaram o que estava sentido, lembro que disse "Não sinto nada, mas meu exame de sangue esta bem alterado!", a enfermeira viu os exames e me olhou com uma cara de dó, eu não entendi na hora, saí da sala de triagem e fiquei esperando o médico me chamar.

Depois de uns 30 minutos esperando, o médico finalmente me chamou. Meu irmão e minha cunhada entraram no consultório comigo. O médico ao olhar meu exames falou "vou te internar!", eu que nunca fui internada na vida, não estava entendendo nada, não entendia por que seria internada, não entendia qual era a gravidade sendo que não sentia nada, exceto pelas dores agudas nos calcanhares/joelhos.

Eu tentei resistir tambem a internação, tentando argumentar que não estava preparada, que tinha que deixar algumas coisas prontas em casa, e se não poderia vir no dia seguinte, o médico deixou por mim, mas avisou que poderia piorar meu quadro clinico, nisso meu irmão já passou minha frente e falou que eu iria internar.

Enquanto esperava a autorização do convenio, fui encaminhada para uma sala de espera, onde uma enfermeira colocou um acesso no meu braço direito para facilitar os exames e as medicações que estariam por vir. Eu em desespero e sem entender nada, chorava, tremia e implorava para ir para casa.

Enfim, passado umas horas o convenio negou a internação naquele hospital, mas encaminhou uma ambulância para que minha internação acontecesse em outro hospital, o Vasco da Gama (Brás/SP). Seria tambem a primeira vez que andaria de ambulância na vida.

Já era noite quando dei entrada no hospital, quem havia me acompanhado na ambulância era a minha cunhada. Minha mãe e meu irmão foram em casa buscar roupas e produtos de higiene para minha internação.

Cheguei ao hospital, um medico me examinou, e fiquei aguardando a liberação do quarto para que eu pudesse ser internada, não demorou muito, minha mãe e meu irmão chegaram e em seguida o quarto liberado.

Fui para o quarto, já estava exausta com tanta informação e confusão, que só queria dormir, meu irmão e minha cunhada foram embora, e minha mãe ficou comigo.

Ajeitamos nossas coisas no quarto, ligamos a TV e em poucos minutos já estava dormindo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dúvidas pelo caminho...

Ainda na incerteza do resultado do exame, enrolei por uma semana para então repetir novamente, pois os médicos que trabalham com minha cunhada, haviam me "iludido" com a hipótese do exame estar com os números errados, pois segundo eles, com aquele resultado, no mínimo eu já estaria em coma.

Então, fui eu novamente fazer outro exame de sangue, dessa vez particular e marcar a ressonância magnética da coluna lombar, para tentar identificar o causador das dores nos calcanhares/joelhos.

Até o momento, não estava nem preocupada, pois não sabia o que estava por vir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O começo...

Nesta data, fiz o primeiro exame de sangue no qual acusaria a insuficiência renal crônica (IRC).
Foi por pura sorte que esse exame foi pedido, pois quem pediu, foi um Ortopedista que eu havia procurado para resolver uma dor (que existe até hoje 05/2010) nos calcanhares/joelhos.
O Doutor me examinou e achou que eu estava anêmica, então solicitou um exame de sangue, no qual o resultado foi:

Hemoglobina: 7,0
Hematocrito: 21,0
Glicemia: 89
Sódio: 140
Potássio: 4,7
Creatinina: 13,8

Foi tambem a primeira vez (e traumática vez) que andei de cadeira de rodas, pois estava com tanta dor que não conseguia nem subir uma rampa que tem no posto de saúde.