segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Adeus vesícula.

Dia 23/07 o HC me ligou perguntando se eu aceitaria ir me internar lá para dia 25/07 fazer a retirada da minha vesícula (colecistectomia), que desde 2012 (sim senhores!), estava com pedras. Claro que aceitei. Eu confesso que procrastinei essa cirurgia por muitos anos, eu tenho alguns grandes motivos para essa procrastinação, porém o principal foi que o meu extinto convenio só realizava essa cirurgia no hospital próprio dele e desde a minha experiencia de internação nele em 2013, onde não vi a cara de um médico por 5 dias e quando chamava uma enfermeira eu esperava horas para simplesmente virem fechar o soro, acabou me deixando bastante desanimada em relação ao atendimento deles e acabei desistindo de operar pelo convênio. Acabei optando por tentar a chance de operar o HC, o que só foi acontecer agora. Eu entrei como prioridade na fila do HC por ser transplantada, e minha entrada nessa fila aconteceu dia 31/03 deste ano, então esperei pouco mais de 3 meses para realizar a cirurgia. Hoje estou completando 2 semanas de cirurgia.

Bom, vamos para detalhes técnicos da cirurgia.

Quando eu internei no domingo, foi apenas para garantir o leito, somente na segunda iria realizar exames pré operatórios, então foi mais uma hospedagem no primeiro dia, nem acesso eles colocaram.
Na segunda, dia que antecedeu a cirurgia, fiz apenas 3 exames, onde foram um exame de sangue, 1 RX  de tórax e 1 eletrocardiograma. Não foi pedido ultrassom e nem nenhum outro exame, já que eu estava com todos meus exames bem recentes e havia deixado tudo em dia para quando chegasse o momento da cirurgia não existisse nenhum imprevisto (fiz exatamente a mesma coisa com o meu transplante).

Recebi a visita de vários especialistas, além dos dois residentes que me acompanharam desde a entrada até a alta, que foram a Dra. Rebeca e o Dr. Marcelo, ambos muito atenciosos. A equipe de anestesia foi a primeira a aparecer, eles quiseram saber se eu tive reação quando transplantei, perguntaram detalhes das primeiras horas após o transplante, se havia vomitado, se tive febre, se era alérgica em algum tipo de medicação, etc. Para eles eu apenas expliquei que tive muito frio logo depois que acordei da cirurgia. Um nefrologista da equipe do transplante (que não era a minha médica s2), também apareceu e disse que estaria acompanhando de longe, mas, estaria disponível por telefone caso a equipe que iria realizar a minha cirurgia precisasse tirar alguma duvida e, na sala de cirurgia vi a Dra. Rebeca acionando ele por telefone apenas para confirmar o tipo de anestesia venosa que eu poderia receber. 

O Dr. Marcelo e a Dra. Rebeca me avisaram que no meu caso iriam tentar a cirurgia por videolaparoscopia, caso eles percebessem algum problema, teriam que fazer a cirurgia aberta, porém, deixaram claro que isso seria algo bem raro. Assinei o famoso termo de esclarecimento cirúrgico, onde quem tem medo deve só assinar sem ler, já que tem vários detalhes do que pode dar errado, rsrsrs. 
Enfim, o pré cirúrgico foi bem tranquilo, sem nenhum detalhe que pudesse ser relevante.

Na manhã da cirurgia, era 5:30 quando a enfermeira entrou e me entregou um avental e pediu para eu tomar banho, foi terminantemente proibido lavar a cabeça, honestamente não sei o real motivo, preciso pesquisar, eu tenho a teoria que se precisar reanimar com descarga elétrica pode "dar ruim", já que água é condutora de energia elétrica, mas, isso é teoria minha, não sei de verdade o porque é proibido lavar a cabeça.

Eu confesso que tinha tido uma noite de sono bem ruim, acordando de hora em hora preocupada, então quando começaram as movimentações eu fiquei aliviada. Como essa cirurgia estava marcada para o primeiro horário, foi bem diferente do transplante. Eu novamente subi para o 9º andar onde se encontra o centro cirúrgico, o que não sabia é que junto comigo, haviam 29 pessoas sendo preparadas para outras cirurgias, então, diferente do transplante, onde no corredor só havia eu, desta vez haviam 30 macas com pacientes. A organização desta parte eu achei mágica, tanto que assim que cheguei no 9º andar eu fiquei encantada, já havia uma maca e um cobertor me esperando e várias outras macas e cobertores que estavam sendo ocupados conforme os pacientes iam subindo. Eu cheguei no centro cirúrgico era quase 7:00 da manhã, então peguei uma boa parte dos preparos, os residentes chegando, a equipe de enfermagem preparando as 30 salas cirúrgicas dos 3 blocos existentes nesse andar. 

Enquanto esperava na maca, uma enfermeira gritava os nomes e você precisava erguer a mão confirmando que já estava lá e, foi bem engraçado, porque as respostas variavam como "Estou aqui", "Presente", "Sou eu", "Aqui do lado do sicrano", rsrsrs, foi bem divertido ver. Logo após, aparecia outra enfermeira confirmando o seu nome (você falando), com a pulseira que te colocam logo que você dá entrada na internação, junto também com o prontuário que eles colocam embaixo do travesseiro da maca. Após essa confirmação, eles te colocam do outro lado do corredor para então um dos médicos que estará na cirurgia aparecer e conversar com você, mais era querendo saber se você esta bem, se esta com medo, etc. Em seguida uma ultima enfermeira aparece e pergunta o tipo de cirurgia que vai ser realizada e se existe alguma informação que achava importante comunicar. Nesta hora eu avisei que ainda tinha fistula ativa e gostaria muito de preservar o braço dela, dito isso, a enfermeira foi buscar a famosa pulseira rosa que indica a preservação do membro. Depois de toda essa sequencia eu fiquei esperando ainda uns 30m até finalmente ser carregada por uma auxiliar de enfermagem que iria ajudar na preparação da sala onde seria a cirurgia. No transplante eu fiquei na sala 9, desta vez fui para sala 28, então consegui ver todos os blocos cirúrgicos e ver que a maioria das salas são iguais e, que os equipamentos que são necessários para cirurgia na verdade são levados para as salas, eles não ficam na sala. Vai conforme a necessidade da cirurgia. No meu caso, eu cheguei na porta da sala enquanto um armário de metal enorme entrava. Assim que fui colocada para dentro, vi que o armário de metal era a maquina que iria fazer a cirurgia por vídeo. 

Assim que entrei a anestesista estava sendo a maestra da vez e organizando todo mundo, auxiliares, enfermagem, os residentes que ela fazia perguntas do meu histórico e, até o pessoal que trouxe a máquina ela estava coordenando. Eu não sei o que tenho, mas eu acho muita magia o centro cirúrgico, eu tenho uma sensação muito boa quando estou nessas salas e isso acontece desde as primeiras vezes que entrei, quando fui fazer as fistulas.

Bom, depois das coisas organizadas, a anestesista começou a conversar comigo, me perguntou sobre a pulseira rosa, porque eu não tinha desativado a fistula e, eu expliquei que não queria perder ela jamais, já que tinha consciência que o transplante estava tudo bem, porém, ele não é eterno e se um dia precisar voltar para dialise, teria já a fistula prontinha para uso, já que conseguir uma fistula funcionante foi difícil e preservar ela com minha pressão baixa foi mais difícil ainda. Ela gostou e até elogiou meu pensamento e gritou na sala "ninguém vai encostar nesse braço", rsrsrs. E finalmente ela me colocou um acesso e, eu estava morrendo de receio disso, porque eu sei que sou ruim de veia e meu maior receio é a veia não mandar a anestesia venosa suficiente e eu acordar no meio da cirurgia (é besteira minha, eu sei). O acesso ficou perfeitinho, olhei para o soro e ele estava correndo que era uma beleza. Depois disso, mascara de oxigênio na cara, alguns eletrodos na testa, coisa que não sei se colocaram no transplante e o famoso soninho.

Acordei dessa vez já na sala de recuperação, no transplante eu fiquei na sala cirúrgica mesmo me recuperando, dessa vez eu fiquei na sala de recuperação do bloco 3, onde tinha eu e outras pessoas. Acordei sem frio, sem dor, sem sintoma nenhum. Olhei para meus pés e vi um potinho desses de exame de urina e afobada como sou, já chamei a enfermeira e perguntei se eram minhas pedras, ela confirmou e me deu para ver. Eu assustei com a quantidade e tamanhos variados. Ali eu percebi a sorte que tive dela nunca ter inflamado. Voltei para o quarto que estava antes da cirurgia, estava de sonda vesical e devido a somente essa sonda, fiquei deitada umas 2h, ai  já entediada resolvi sentar e ver o que tinham feito. Foram 4 incisões, um furo dentro do umbigo, dois furos na lateral direita, mesmo local onde eu acredito estar o rim transplantado (medinho), e um corte um palmo fechado abaixo dos seios de aproximadamente 3cm, que acredito eu, ser o local da retirada da vesícula. Esse corte foi o único lugar que estava dolorido e ficou dolorido até o 5º dia pós cirúrgico, a sensação é que alguém havia me dado um soco na boca do estomago e então estava dolorido. Não levei pontos, eles colaram as incisões o que eu achei maravilindo, já que não ia levar aqueles famosos beliscões de pontos. Umas 7h após a cirurgia eles retiraram a sonda, eu estava urinando normal com a sonda, só que levei umas 4h para conseguir urinar sozinha após a retirada dela, mas, isso é bem normal. Assim que retiraram eu corri para o banho, fiquei aliviada, porque ficar com sonda é bem chatinho em questões higiênicas, assim como da outra vez, não senti nada para retirar. Chegou a noite, eu dormi bem e as 7h da manhã do dia seguinte já estava de alta. O engraçado que não tive restrição alimentar nenhuma. Jantei normal na noite da cirurgia e tomei café com leite e pão com margarina no café da manhã, não tive nenhum enjoo, nada de diarreia que é comum e já no dia da cirurgia eu evacuei normalmente. 

Em casa continuo comendo normal, a única coisa que desarranjou meu intestino foi um amendoim e foi bem de leve também. Eu comi de tudo, justamente para testar, já que tenho retorno na sexta com a equipe que fez a cirurgia (18 dias após a cirurgia). Então, se desse algum sintoma eu já queria discutir com a equipe, só que eu acho que fui premiada, porque não tive qualquer reação com alimentos usuais e nem os exageradinhos, por exemplo, eu comi pizza caseira com 6 dias de cirurgia e nada.

Foi isso pessoal, minha experiencia com a retirada da vesícula sendo transplantada e passando por outra anestesia geral. Então, se alguém precisar, é só falar tudo que o preocupa com os médicos responsáveis que tudo dará certo. Minha fistula esta intacta, o rim esta funcionando bem e eu não tenho dor e nem mal estar devido a cirurgia, na verdade acho que melhorou, eu tinha umas pontadinhas na região da vesícula que aparecia e desaparecia, conforme o que eu comia e não tive mais essas pontadas desde que a cirurgia aconteceu.

Quem chegou aqui e não tem nenhuma outra complicação e gostaria apenas de ler um relato de uma cirurgia na vesícula, eu só digo que é muito tranquilo, não tem nada de insuportável, na verdade é mais tranquilo que muito procedimento mais simples que já passei, como por exemplo uma endoscopia, rsrs. E se eu, transplantada renal, que teoricamente sou uma paciente mais "complicada", deu tudo certo, imagina quem só tem essas pedrinhas para encher o saco? Tranquilidade e dialogo com a equipe médica, esse é meu conselho. 

Quem esta morrendo de curiosidade para ver minhas pedrinhas, é só clicar AQUI que vai para a foto delas.

Grande abraço para todos.


Obs: Eu linkei a foto das minhas pedras (são MUITAS), porque ninguém é obrigado entrar no site e ver coisas que talvez não gostem.

sábado, 8 de julho de 2017

Por qual razão eu escolhi o HC?

Olá pessoal, como estão?
Nos últimos meses eu conversei com várias pessoas que me procuraram pedindo ajuda/indicação de locais para tratamento, tanto na fase dialítica, quanto para o transplante, então resolvi contar porque eu escolhi me inscrever no Hospital das Clinicas de SP (FMUSP), ou melhor, porque eu cancelei minha inscrição no Hospital dos Rins e acabei indo para o HC.


Para quem leu as postagens anteriores sabe que logo no inicio (no segundo mês que descobri meu diagnostico), eu já corri me inscrever na fila do transplante, no momento só havia visto a possibilidade do transplante com meus pais e irmão. Sendo que meu pai já diabético e cardíaco não seria aceito e minha mãe e meu irmão possuindo tipagem sanguínea diferente da minha (puxei meu pai no O+, minha mãe e irmão são A+), também não iriam poder. Na época não existia transplante sem compatibilidade sanguinea, hoje já existe alguns casos no Brasil.

Eu fiz meu cadastro no Hospital do Rim, porém, foi tudo muito mecânico, não passei em consulta com nenhum profissional da saúde, nenhum mesmo, nem mesmo uma enfermagem. Só pegaram o laudo assinado pela clinica que atestava que precisava do transplante e pediram para ir em uma rua paralela em um laboratório colher sangue e, aguardar se não me engano 45 dias um telegrama com meu RGTA, só. Meu único contato em relação a fila do transplante no Hospital do Rim foi esse. E fiquei os dois primeiros anos esperando, ansiosa, olhando para o telefone torcendo para tocar e nada. Neste meio tempo eu via na clinica alguns amigos que faziam tratamento no HC e eram inscritos lá. E via que a conduta deles era um pouco diferente. Existia uma consulta inicial com Médico, Enfermeira, Psicóloga, Nutricionista e Assistente Social. O médico solicitava uma bateria de exames de sangue, praticamente te revirava para achar qualquer coisa que fosse. A equipe da enfermagem te orientava como proceder quando for chamada, a psicóloga Dra. Silvia, excelente profissional, fazia uma consulta prévia e se via necessidade, marcava retorno (passei algumas vezes com ela, rsrs). A nutricionista dava uma orientação básica da alimentação no pré e no pós transplante e a assistente social revia todo o caso e até mesmo se o paciente iria precisar de um cuidador durante a fase pós transplante, porque infelizmente existem bastante idosos abandonados doentes nesse mundo. Eu, após obter esse apanhado de informações, tomei coragem (depois de procrastinar uns meses) e troquei de hospital, eu queria ter certeza que não tinha problema algum para realizar o transplante e se tivesse algo, se fosse tratável, queria estar pronta.

Vantagens e desvantagens pessoais que encontrei no HC, comparando ao Hospital do Rim. Eu repito para deixar claro, são percepções PESSOAIS, não é regra nada do que escrever.


Desvantagens
- Localização, se eu levar em conta o tempo hábil que levaria para chegar no HC comparado ao Hospital do Rim, com certeza o Hospital do Rim ganharia.

- São muitas pessoas, e não é 40, 50 em consulta junto com você não... Beira a 100!!! E isso em um único especialista.

- Atendimento "cobaia", algumas especialidades -não todas-, você é atendido por até 3 residentes na mesma consulta, e como eles estão aprendendo, após realizar seu atendimento eles precisam sair do consultório e reportar o caso ao responsável da equipe (geralmente o professor), e isso demora muito mais que o tempo da consulta, eu já cheguei a ficar 45m dentro do consultório sozinha esperando. E 98% dos pequenos erros cometidos, geralmente com as papelada como emissão de receitas, encaminhamento para outras especialidades e, outras coisinhas mínimas, são obra dos residentes, rs.

- Locais para "repouso". Muitas vezes precisamos fazer exames (principalmente no pós transplante), e as vezes leva o dia inteiro, faz um, aí espera algumas horas para realizar outro, ou alguma consulta em seguida. Lá é extremamente desconfortável para fazer esses intervalos.

- Estacionamento caríssimo! De verdade, não vale à pena ir de carro lá, dependendo do tempo que você fica por lá, você pagar Uber (ou outro) ida/volta e ainda come algo, com o valor que gastaria só no estacionamento.

- Labirintos. Quem vai a primeira vez no HC (segunda, terceira...), geralmente se perde. A imensidão que é o Hospital das Clinicas é espantosa. Tanto que eu em uma época cheguei até pensar em desenhar um mapa interno, onde fica o consultório de todas as especialidades e vender na frente por R$0,10 só para garantir um lanchinho, hahahahaha. Já me perdi um bocado de vezes e não conheço nem 10% daquele lugar.


Vantagens
- A primeira vantagem que poderia citar é que TEM TUDO, lá tem a maior gama de especialistas da América Latina, a maior diversidade de maquinas para exames, é a maior e melhor formadora de médicos do país. Tem um doença raríssima? É pra lá que você vai.

- Hospital escola, por mais que tenha colocado como desvantagem o atendimento "cobaia", geralmente é uma vantagem. Eu acho os médicos residentes na maioria das vezes mais atenciosos no atendimento. Como eles estão sedentos por conhecimento, eles investigam mais, perguntam mais, te "desbravam" mais. Acho um barato quando vou para algum ultrasom, geralmente também realizado por algum residente e, eles acabam olhando mais do que devem enquanto esperam o médico responsável aparecer na sala. Tanto que a descoberta da minha pedra na vesícula foi uma "garimpada" inocente de um residente. As vezes estou em um ultrasom cardíaco ou outra localização que não é o abdômen, quando falo que transplantei, eles metem o aparelho na barriga para curiar.

- Tratamento centralizado em um único lugar. Atualmente eu passo lá nos seguintes especialistas: Urologia (claro), Osteodistrofia Renal (cuida do meu PTH), Cirurgião geral (to na espera da retirada da vesícula), Cirurgião da Urologia (ele acompanha a cirurgia do transplante), Dermatologia (faço laser, porque meu rosto tá vermelhinho por causa da rosácea) e Ginecologia. Eu já passei no dentista e no otorrino de lá também. O legal é que muitas das especialidades já estão informatizadas, então as especialidades estão conseguindo "conversar" durante o tratamento.

- Muitos dos medicamentos receitados pelos médicos são produzidos lá mesmo e, com certeza absoluta, se lá faltar algum remédio para o transplante, é sinal que não tem esse remédio em local nenhum desse país, afirmo categoricamente que lá seria o ultimo local que faltaria os imunossupressores no Brasil. As vezes você não recebe os remédios necessários até o dia da próxima consulta, então você recebe uma outra data para buscar novamente as medicações, faltar é bem difícil. Existe também a opção de receber eles em casa.

- Comida BBB, no restaurante do piso S1 do prédio dos ambulatórios, existe um Prato Feito e também um Self Service, e digo, lá você tem comida boa (tempero adequado, balanceamento de sal ok, etc), bonita (você percebe que os mantimentos usados são de qualidade) e barata (gasto geralmente R$7, R$8 em um almoço com suco incluso, isso no Self, já que não gosto do PF, porque 99% das vezes vem feijão e eu detesto). As lanchonetes que existem nas redondezas já não são baratas mas, servem comidas, lanches e tranqueiras deliciosas também.

- Te transforma em uma pessoa mais fraterna, eu explico. Lá no HC você é apresentado para tudo que é tipo de pessoa, existem todos os tipos mesmos. A maioria são os "na deles", que não falam, não prejudicam o atendimento, porém, se ver alguém precisando não se mexem também. Existem os burros bravos, aqueles que estão errados mas, querem ser atendidos primeiro, querem que o médico receite medicamento que eles querem e pronto. Tem os bem humildes, que as vezes não tem nem alfabetização e, também tem os com problemas de saúde bem incomuns, que são fisicamente perceptíveis. É impossível (a não ser que seja uma pessoa apática), conviver lá por tanto tempo quanto eu convivo e não melhorar como pessoa, não se sentir tocada e solicita em cada situação que é apresentada.

Enfim, tem várias vantagens, essas são só as principais.

Vou deixar linkado um vídeo aqui, que foi feito para a divulgação do poder de ensino que eles possuem mas, que dá para ter uma boa noção de quão colossal é o complexo do HC.



O Hospital dos Rins também tem muitas vantagens e algumas desvantagens, se não me engano ele continua sendo o Hospital que mais realiza transplantes no Brasil e tem um know how elevadíssimo para isso.


Obs: Hoje sei que o Hospital do Rim faz um consulta no ato da inscrição.


É isso amigos, grande abraço.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

01 ANO DE TRANSPLANTE!!!

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Precisou uma pessoa partir desta vida para eu conseguir qualidade na minha vida, precisou alguém ir para me ajudar chegar até aqui. Uma família teve que esquecer um pouco seu luto para pensar por um momento, para ajudar uma pessoa, ou até mesmo pessoas, que provavelmente essa família nunca nem vai saber quem são. Do outro lado outra família teve que por um longo tempo segurar lágrimas, abdicar de alguns luxos e momentos, só para garantir que eu tivesse sempre condição de um tratamento digno. Dezenas (provavelmente centenas) de profissionais da saúde praticaram o conhecimento que obtiveram através de longos e duros anos de estudos e de principalmente experiência pessoal, para assim me ajudar a sempre estar saudável, na medida do que me era possível.
Dia 28 de fevereiro de 2016, uma família perdia e outra ganhava. Neste dia a oportunidade de voltar para a vida em plenitude me foi devolvida, me deixando viver intensamente mais uma vez, o que havia sido interrompido por longos seis anos. Ganhei possibilidade real de voltar a correr atras dos meus sonhos. Neste dia, eu deixava para trás dores físicas e em troca ganhava energia. Neste dia eu renasci.


Os 6 anos de hemodialise não foram em vão.
O sacrifício da minha família não foi em vão.


Agradeço a todas as pessoas que resolveram seguir a área da saúde e se dedicam a cuidar das pessoas, você são especiais. Todos da Nephron, da extinta São Jorge e todos do Hospital das Clinicas. Eu serei eternamente grata a todos vocês.

Eu não posso compensar a perda da outra família, mas prometi que vou honrar a vida do meu doador. E a vida do meu doador, essa não pode ser devolvida, contudo, por ele, pela família dele e pela minha, eu me sinto obrigada a jamais recuar, vou sempre dar o meu melhor, nunca irei me acomodar, quero todo dia me reinventar e buscar ser uma pessoa melhor, não só para as pessoas que estão próximas e sim para todos.

Peço luz ao meu doador onde quer que ele esteja, que ele receba toda minha gratidão.
A família do meu doador que queria muito conhecer ou ao menos poder enviar uma carta a eles (que me foi negado, mesmo propondo ser essa anonima), eu queria muito agradecer pelo desprendimento e pela atitude tão nobre. Eu desejo que toda a saudade que tenham do meu doador seja compensada com um coração preenchido de luz. Queria muito poder dar a certeza que ao menos uma vida, a decisão que vocês tomaram foi salva. E dizer que sinto muito também.


Outro dia no mercado, ao passar algumas mercadorias no caixa, a moça que me atendia no meio de uma conversa informal sobre violência, me soltou que a irmã dela perdeu a vida com um tiro na cabeça, e que ela e a família dela, decidiram pela doação de órgão da irmã. Meus olhos marejaram de lágrimas e a caixa sem entender, se preocupou se eu estava bem e se ela poderia ajudar, depois de uns segundos, quando consegui me recompor, eu a agradeci por ato tão nobre e informei que se eu estava ali naquele momento, é porque uma família havia tido o mesmo comportamento que a dela. Me senti tão bem em agradecer aquela moça, pois é o que gostaria de fazer com a família do meu doador.


Esse primeiro ano foi uma aventura. Enfrentar inúmeras consultas, inúmeros exames e estar no final da faculdade junto com todas as novidades que o transplante me trouxe, tornou tudo muito louco e frenético. Espero que eu consiga conservar esse presente comigo por muitos anos, mas cada um deles será como se fosse o primeiro, sempre irei valorizar esse acontecimento, e sempre serei grata a todos que estiveram e que estão envolvidos.


Hoje eu afirmo, sim, transplantar vale a pena, o começo é esquisito, existem adaptações, mas o resultado é muito BOM!!! Liberdade, mente mais atenta, sem fraqueza e sem mal estar. O que mais poderia querer?


Um abraço para quem leu até aqui. Beijo no coração de cada um.
Viva a medicina, viva a tecnologia e principalmente, VIVA PARA A CARIDADE.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A caminho do primeiro ano...

Para completar um ano de transplante, que tal levar mais uns pontos???
Eu tento me cuidar tanto que qualquer anormalidade, por mais simples que pareça, me faz questionar com a médica. Dessa vez foram três carocinhos subcultâneos que apareceram no seio direito, e resolveram assim ficar, eu fiquei cismada e tive que apresentar meu "amiguinhos" aos dermatologistas, que avaliaram e me passaram uma pomada para eles saírem. SÓ QUE A POMADA E NADA TERIA O MESMO EFEITO. No retorno expus que não tinha melhorado em nada, resultado, "manda ela pra biopsia", desculpem, mas putaqueOpariu. O negocio é tão superficial que eu com uma faca arrancava a sangue frio, de verdade. Porém, vamos pra biopsia, sem problema, mais um procedimento novo para coleção.
Acontece que na minha inocência, achava que eles iam pegar uma seringa e dar uma sugadinha... LEDO ENGANO. Tomei unas 4 picadas pra anestesia (ate aí, uma picada a mais, ou a menos, nem liguei), só que a medica me aparece com um bisturi e "swap", arrancou um bifão... Ok, sem problema... Foi e "swap" novamente e arrancou outro bifão. O que me injuriou foi o que veio depois... EU LEVEI PONTOS!!! Caceta... tiraram metade do peito? HAHAHAHAHAHAHAHA... Juro, detesto pontos, ô coisa que incomoda. Preferia levar agulhadas todos os 10 dias que ter que ficar com esses pontos. Mas, enfim, já foi. Umas moças que foram comigo fazer também a biopsia estavam lá com medo... E eu super zen, parecia até um projeto de monge falando "calma gente, vocês tem que ficar preocupadas com o resultado, não com o procedimento", hahahaha... sai de lá fula da vida. E apesar da orientação de não tirar o curativo até o dia seguinte, fui curiar e vi que no primeiro corte, levei 3 pontos e no segundo levei 2. O resultado dessa brincadeira? Só no começo de maio. A desconfiança do médico é que seja alguma infecção oportunista. A retirada de duas amostras foi para um delas ser dividida e metade ser testada para bactérias, a outra metade para fungos e a outra amostra sera analisada inteira para definirem o diagnostico.



É isso aí pessoal, vamos encarando o que vai surgindo, não é mesmo? ;)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Décimo primeiro mês.

Ai chega a época de festas, sua médica só diz para você maneirar e eu nem estava com ideia de nada muito extravagante, só iria manter a rotina de sempre. Natal na casa dos meus pais e virada do ano em Piracicaba. O Natal foi tranquilo, como sempre deve ser, só que a virada foi tensa.
Eis que cheguei na minha primeira intercorrência grave. Dia 01/01/17 acordei de madrugada (1h depois que havia ido dormir, rsrs) com uma dor nas costas, fui até o banheiro, tudo normal, a dor persistiu, mas o sono falou mais alto. Quando acordei tentei tomar café da manhã não foi, fiquei super enjoada, voltei para a cama. Acabei ficando o dia todo entre acordar, tentar levantar, sentir dor, desistir e voltar a dormir. Foi super de repente os sintomas. No final da tarde, tentei insistir para levantar, caí da cama. Fiquei um tempo no chão, me senti mais fraca ainda. Voltei para a cama e fiquei nessa até umas 23h, quando mais uma vez insisti e fui para o lado de fora da casa tomar um ar... Arrrrr, só que não prestou. Passei mais mal ainda... tão mal, que tive que ir de Samu para o pronto socorro de Piracicaba. Estava com 39,4 de febre e muito, muito, muito enjoada. Para resumir, estava com uma infecção urinária. E assim, já tive infecção urinária e nenhuma chegou perto dessa, de verdade, foi uma infecção das trevas. Voltei para São Paulo não sei como, não tinha força nem para falar. No dia seguinte fiz exames para no outro dia (dois dias depois) passar na medica e claro, levei uma merecida bronca da médica, deveria ter procurado o HC assim que comecei a passar mal. Teimosia é outra doença que tenho.
Para resumir a opera, eu estava com uma infecção grave que fez minha creatinina ir nas alturas. Achei que Mr. Bauer me diria adeus, porém, revertemos o quadro e tudo normalizou, mas fiquei duas semanas podre na cama, o que me aliviou é que isso aconteceu depois de ter terminado a faculdade, já pensou ficar assim antes de fazer a defesa do TCC? Seria trágico, rsrs.



Medição do décimo primeiro mês da Creatinina:
1- 1,0 (02/01)
2- 2,98 (03/01)
3- Urograma positivo (04/01).
4- 1,11 (10/01)
5- 1,19 (17/01)
6- Urograma negativo (23/01).



 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Décimo mês.

Não teve exame, não teve consulta (somente dermatologista). Foquei total no TCC e quase enlouqueci nessa parte. Para uma pessoa perfeccionista fazendo algo que possui um apanhado de normas para concluir não deveria ser difícil, não é mesmo? Mas foi uma relação de ódio todo o tempo que fiquei desenvolvendo o trabalho, de verdade, outro TCC não faço nunca mais, só se pagarem e pagarem BEM.
O que interessa é que a dor na vesícula passou, mas eu sei que é um caminho sem volta, ela tem que partir.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Nono mês.

Se fosse uma gestação, estaria com o bebê aqui, mas foi um "parto ao contrário", ao invés de tirar, colocaram o bebe na minha barriga... e que bebê que dá trabalho. Eu tive que repetir a Determinação da Filtração Glomerular e dessa vez deu 56%, caiu bastante, eu claro, fiquei chateada, mas no fim resolvi aceitar o tempo que tiver com o Mr. Bauer.
No dia que fiz o exame, conheci um palhaço que trabalha em clinicas de hemodialise, e o detalhe, pouco tempo que ele começou a trabalhar na clinica de hemodialise ele perdeu os rins. Pois é... essa vida gosta de sacanear as vezes. Ele tem uma fundação, que preciso escrever sobre ela mais adiante, enfim, o palhaço é hilário... esta transplantado há 11 anos e tem um trabalho muito lindo na instituição dele.



Medição do nono mês da Creatinina:
1- 1,11 (17/11)
2- 1,21 (22/11)